Ana SimplesAssim

por Ana Luiza Archer


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Surpresa: virei ativista!

O STF e o Mensalão – Para quem perdeu, segue abaixo meu artigo publicado no jornal O Globo em 11jun2012, na pág 7, editoria de opinião, sobre o STF e o mensalão.

” SURPRESA: VIREI ATIVISTA

Meses atrás, se alguém “profetizasse” que eu iria sair da minha vidinha em Ipanema no Rio de Janeiro para ir ao STF em Brasília, a fim de entregar, com outros representantes de movimentos anticorrupção, um abaixo assinado com 37 mil assinaturas pelo “julgamento do mensalão já!”, e que ainda levaria uma cotovelada do segurança do ministro Gilmar Mendes, tudo isso cercada por dezenas de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas de vários veículos de imprensa, eu daria uma boa risada. Pois é: aconteceu.  A vida é cheia de surpresas.

Há tempos tenho estado envolvida em um singelo movimento de bairro, em Ipanema, debatendo com a comunidade e autoridades questões como a localização de uma estação do metrô e opções para um carnaval de rua harmonioso entre foliões e moradores. São causas “paroquiais”, mas relevantes, pois afetam não só o bairro, mas toda a cidade – e todos os pontos de vista devem ser considerados, assim como seus respectivos ônus e bônus.

Mas dialogar não tem sido a prática usual das autoridades aqui no Rio. Por vezes, temos nos deparado com decisões tão autoritárias e incompreensíveis, que fica a impressão de alguma coisa não revelada. Foi quando surgiu o movimento anticorrupção na cidade, ao qual, num piscar de olhos, decidimos aderir – afinal, sentimos “malfeitos” na pele.

Essa experiência tem sido para mim especialmente enriquecedora, seja pela novidade, pelas conversas políticas, pelas pessoas éticas e encantadoras que tenho encontrado. Hoje, graças em grande medida à liberdade de imprensa – que felizmente desfrutamos no Brasil -, qualquer que seja o nível social e intelectual, todos, sem exceção, acompanham o noticiário e têm casos de corrupção a comentar. Motoristas de táxi são especialistas no assunto. Barbeiros e cabeleireiros? Dominam a conversa e apontam exemplos.

A liberdade de expressão é valiosa. A manifestação da opinião pública é legitima e desejável em qualquer democracia saudável e faz toda diferença – basta lembrar da aprovação recente da nossa Lei da Ficha Limpa. O STF é o tribunal mais importante do país e, obviamente, ninguém discorda de que o julgamento do mensalão deva ser técnico e que a constituição tem que ser respeitada. Por outro lado, mais informada, a sociedade brasileira entende o desenrolar dos acontecimentos, entende as jogada políticas e jurídicas desse processo e não aceita mais a impunidade.

Ninguém discute a idoneidade do Supremo. Lidar com interesses diversos, e especialmente tão poderosos como neste julgamento, é de imensa responsabilidade. Na história, na literatura e na bíblia, o ato de julgar é tão importante que é atribuição de reis, como vemos, por exemplo, em Ricardo II de Shakespeare e no rei Salomão. Neste sentido, o abaixo-assinado que entregamos, com as 37 mil assinaturas, expressa, sobretudo, nossa confiança no STF e apóia os que estão empenhados no julgamento – breve e justo – do mensalão, processo já maduro, como afirmou o Ministro Ayres Britto. Com 38 réus de peso, trata-se de um julgamento emblemático – além de uma oportunidade imperdível para provar à sociedade que réus poderosos também se submetem à justiça, como qualquer um de nós. A essas alturas, postergações e pedidos de vista são inaceitáveis. A impunidade é inaceitável. Se não há punição, há estimulo.Confiamos no STF.

Outro dia, no cabeleireiro, estava comentando o noticiário político, quando minha vizinha de cadeira, uma senhora psicanalista, me indagou se eu era jornalista, pois para ela eu parecia entender tudo.  Surpresa, respondi que não, que eu conhecia o assunto porque fazia parte de um movimento anticorrupção. Ao que ela concluiu sorrindo “Ah, entendi. Então você é ativista”. Pois é: não é que ela definiu bem? Virei ativista.

Ana Luiza Archer, engenheira, integrante do Movimento 31 de Julho – contra corrupção e impunidade.”

Depois de publicado, este artigo foi digitalizado e publicado em diversos sites e clippings, entre eles, no clipping do próprio STF, aqui.

O Globo, 11jun2012


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Adeus à praça


Não tem quem passe pela Praça N. Sra da Paz em Ipanema e não se encante com a sua beleza, suas árvores centenárias e seu clima bucólico no meio de um bairro tão agitado, numa cidade, como disse nosso prefeito Eduardo Paes, em recente palestra, “com um monte de gente, poluição, carros e concreto, muito concreto”. Pois, neste cenário, nossa praça parece um oásis. Crianças e idosos passam horas no local, os primeiros brincando e os últimos se distraindo e apreciando as brincadeiras. Praça é assim mesmo, deve ter essa ambiência de paz.

A Praça N. Sra da Paz é, e sempre foi, o coração do bairro. Muitos de nós temos inúmeras recordações do local. Eu mesma lembro de brincar escalando a estátua do Pinheiro Machado para depois me sentar nos seus ombros. Lembro dos meus filhos pequenos tomando sol no carrinho, assim como me lembro da minha filha mais velha caída no lago, empurrada pelo caçula travesso. Nossas lembranças são muitas e em breve estarão expostas em fotos pela praça. E por que a exposição? Ora, porque inacreditavelmente vão destruir a Praça N. Sra. da Paz.

Destruirão a praça da nossa comunidade. Estaremos privados da sua beleza e tranqüilidade durante as obras e, principalmente, depois dela, pois por ter uma dinâmica acelerada, diversa da dinâmica de uma praça, esta estação acabará com a sua ambiência de paz. Saídas de metrô em lojas e centros comerciais são comuns no mundo todo e trazem benefícios ao comércio. Temos quatro galerias comerciais importantes no entorno da praça, sem falar em imóveis que poderiam ser desapropriados para essa construção a exemplo da Estação Siqueira Campos. Por que não?

Estamos às portas da Rio + 20 e esta discussão não é só do bairro. Ela é muito mais ampla, temos de aprender com a nossa experiência histórica. Especialistas em mobilidade urbana, o Clube de Engenharia, o Ministério Público, 27 associações de moradores e amigos lutaram tenazmente pelo traçado original da Linha 4, que ligaria a Barra da Tijuca ao Centro, via Humaitá e Jardim Botânico. Teríamos um metrô em rede, a exemplo das cidades mais avançadas no mundo em mobilidade urbana. Mas não. Sabe-se lá o porquê, cismaram que o trajeto deve ser este linhão, que na verdade é uma extensão da linha 1. Com ele, todos os nossos problemas estarão resolvidos. Será? Em Ipanema, tudo indica que o metrô já passará lotado… Não podemos aceitar isso.

Não há dúvida de que este tipo de política pública autoritária, incapaz de encontrar soluções conjuntas, criativas e inovadoras para seus problemas e que desrespeita a memória local resulta em uma sociedade desagregada, sem história, sem interesse. E como também afirmou nosso prefeito na palestra acima citada, “deve-se pensar no verde, no verde, no verde… A cidade do futuro terá de ser ambientalmente envolvente…”.
Sr. prefeito, quando vamos sair desse discurso e iremos à prática?

Publicado anteriormente em 08 de maio de 2012, no blog do Ancelmo, aqui


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Baby, Baby… :)

Deve ser por isso que eu sou uma pessoa tão musical. Minha mãe sempre adorou música. Desde ópera até música popular. E sempre ouviu muito. Lembro eu ainda garota em casa, e ela ouvindo música na vitrola. E repetia… A sua música favorita do momento era conhecida, afinal, todo mundo ouvia junto – é claro, naquela época não existia nada parecido com um protótipo do ipod.

 

 

Gosto de lembrar dela ainda moça, nos educando. Minha mãe se dedicava. Sempre bem humorada e doce, muito eclética e generosa, não tinha praticamente nenhum preconceito, era tolerante. Moderníssima, ela fazia até psicanálise em grupo e seguia a risca o lema “é proibido proibir”. Tudo era conversado… e analisado: tudo tinha um por quê. “Dor de cabeça? É raiva reprimida. Dor nas costas? Tensão, medo… Qual é o problema?” Isso para meu desespero, naturalmante, afinal, tudo que uma adolescente nerd e timida não deseja é uma mãe moderninha de visual hippie chique, tipo filme americano, aconselhando a ser mais leve, a sorrir mais, a ser menos séria… Mãe falando isso? Era só o que me bastava para eu revirar os olhos, amarrar a cara e me fechar no quarto.

Hoje eu sou mais sorridente. E é recorrente me definirem como leve e suave –  meus filhos dizem até que eu sou “fofinha”. :) Mas, certamente, continuo séria e perseverante. Fazer o que, né? É da minha essencia, e eu gosto assim :)  Pois é, isso tudo para dizer que, de vez em quando, me surpreendo com as músicas que conheço – eu e minha irmã até já rimos comentando isso: somos capazes de cantarolar várias músicas de épocas e estilos diferentes!

Ontem, lendo o ótimo post da Denise S. sobre Caetano Veloso e o filme Coração Vagabundo, “sem complexo de entidade”, aqui, acabei no youtube onde achei, por acaso, uma musica que foi uma das preferidas da minha mãe naquela época. Ela já gostava dos “baianos”. A letra é doce e delicada, a cara do Caetano, assim como também é a cara da minha mãe, doce e delicada até hoje – graças a Deus!

Vejam que delicia! E caso haja curiosidade – que tal? -, segue também a mesma música em versão de 1978, aqui, com a mesma Gal Costa – olhem a cinturinha!

Bjks musicais! Ana :)

Baby, de Caetano Veloso. 

Você precisa / Saber da piscina / Da margarina / Da Carolina / Da gasolina / Você precisa / Saber de mim

Baby, baby

Eu sei / Que é assim

Baby, baby

Eu sei / Que é assim

Você precisa / Tomar um sorvete / Na lanchonete / Andar com gente / Me ver de perto / Ouvir aquela canção / Do Roberto

Baby, baby

Há quanto tempo

Baby, baby

Há quanto tempo

Você precisa / Aprender inglês / Precisa aprender / O que eu sei / E o que eu / Não sei mais / E o que eu / Não sei mais

Não sei / Comigo / Vai tudo azul / Contigo / Vai tudo em paz / Vivemos / Na melhor cidade / Da América do Sul / Da América do Sul / Você precisa / Você precisa…

Não sei / Leia / Na minha camisa

Baby, baby

I love you

Baby, baby

I love you…

Publicado anteriormente em 30-ago-2009


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No escurinho do cinema…Guerra ao terror

Adorei. Não a temática, naturalmente, afinal o assunto é árido. E árido em todos os sentidos, tanto do ponto de vista visual como até do ponto de vista auditivo. O filme praticamente não tem música e ouvimos na maior parte do tempo o som da areia em atrito com as botas no caminhar dos soldados americanos assim como o som de pedras e pedregulhos sendo partidos e arranhados pelas rodas do carro. O desconforto está sempre presente e não é para menos, afinal, os protagonistas são invasores de outro pais. Não são bem vistos pela população da cidade, a dona de casa, o senhor, o menino, que desconfiam e os olham com ar de antipatia, de restrições. Sentimento praticamente recíproco pois, por serem invasores, sabem que correm naturalmente riscos e portanto a desconfiança é redobrada. Nossos heroicos protagonistas são pacifistas. Enquanto um deles se concentra desarmando as bombas, as voltas com fios coloridos, alicates e detonadores e, portanto sem olhos para se proteger, ele é acobertado por outros dois soldados que ficam de metralhadora em punho, tensos e alertas, olhando para a dona de casa, o senhor e o menino que passam nos arredores ou que da janela de casa assitem à operação. Sabe-se lá se não foi um deles que armou esta bomba? Possivelmente, o “dono” (da bomba) está observando de algum lugar próximo e quer ver a conclusão do trabalho: a bomba explodir. O filme nos leva a refletir sobre as consequencias no cotidiano de pessoas simples – a dona de casa, o senhor e o menino, além dos soldados americanos – de decisões tomadas no mais alto escalão do poder e muitas vezes por motivos tão mesquinhos, tais como atender a expectativas financeiras da industria armamentista e da industria de petróleo. Um mundo cruel. Muito árido.

Vale destacar a conclusão do filme, onde o “desarmador de bombas” se entedia com a banalidade da sua vida civil e decide o rumo da sua vida. Que decisão é essa? Afinal, adrenalina se tem de outras formas, até dirigindo um carro a 200 km/hora. Será um sentimento de importância na guerra, como pacifista? Um altruismo, um certo sentimento de missão heroica? Um oásis dentro de tanta aridez?