No escurinho do cinema…Guerra ao terror

Adorei. Não a temática, naturalmente, afinal o assunto é árido. E árido em todos os sentidos, tanto do ponto de vista visual como até do ponto de vista auditivo. O filme praticamente não tem música e ouvimos na maior parte do tempo o som da areia em atrito com as botas no caminhar dos soldados americanos assim como o som de pedras e pedregulhos sendo partidos e arranhados pelas rodas do carro. O desconforto está sempre presente e não é para menos, afinal, os protagonistas são invasores de outro pais. Não são bem vistos pela população da cidade, a dona de casa, o senhor, o menino, que desconfiam e os olham com ar de antipatia, de restrições. Sentimento praticamente recíproco pois, por serem invasores, sabem que correm naturalmente riscos e portanto a desconfiança é redobrada. Nossos heroicos protagonistas são pacifistas. Enquanto um deles se concentra desarmando as bombas, as voltas com fios coloridos, alicates e detonadores e, portanto sem olhos para se proteger, ele é acobertado por outros dois soldados que ficam de metralhadora em punho, tensos e alertas, olhando para a dona de casa, o senhor e o menino que passam nos arredores ou que da janela de casa assitem à operação. Sabe-se lá se não foi um deles que armou esta bomba? Possivelmente, o “dono” (da bomba) está observando de algum lugar próximo e quer ver a conclusão do trabalho: a bomba explodir. O filme nos leva a refletir sobre as consequencias no cotidiano de pessoas simples – a dona de casa, o senhor e o menino, além dos soldados americanos – de decisões tomadas no mais alto escalão do poder e muitas vezes por motivos tão mesquinhos, tais como atender a expectativas financeiras da industria armamentista e da industria de petróleo. Um mundo cruel. Muito árido.

Vale destacar a conclusão do filme, onde o “desarmador de bombas” se entedia com a banalidade da sua vida civil e decide o rumo da sua vida. Que decisão é essa? Afinal, adrenalina se tem de outras formas, até dirigindo um carro a 200 km/hora. Será um sentimento de importância na guerra, como pacifista? Um altruismo, um certo sentimento de missão heroica? Um oásis dentro de tanta aridez?

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