O amor é importante, pô!

Instigante texto que me foi mostrado por um amigo.  Uma explosão de interpretações.  No bom sentido, é claro :)

Odara via flickr cc by andre cherri

 ” Palavras no muro” , por Roberto de Toledo Pompeu.

“O amor é importante, pombas. No original, não é “pombas”. É um palavrão, que também começa com “po”. A frase, desenhada com as letras angulosas e sem curvas dos grafiteiros, nas últimas semanas tomou conta de muros, paredes e beiradas de viadutos de São Paulo. Enfim, um grafiteiro inteligente. Ou poético, ou pungente, dependendo do estado de espírito de quem o lê. “O amor é importante, po”, de autoria desconhecida, eleva o grafite paulistano da habitual indigência ao nível dos clássicos do ramo produzidos no maio de 1968 francês – “A imaginação no poder”, “Seja realista: exija o impossível”, “É proibido proibir”.

O segredo da frase é a palavrinha que começa com “po” aposta à oração principal. É o que faz que um pensamento banal adquira vísceras e atinja o leitor. “O amor é importante”, sozinho, seria uma bobagem. Ocorre que o grafiteiro queria dizer exatamente isso, que o amor é importante. Encontrou um jeito de driblar o lugar-comum ao socorrer-se do palavrão. O palavrão contrapõe-se à pieguice do desabafo sentimental e o redime. A violência do expletivo chulo compensa a moleza do pensamento central. Produz-se o inesperado. E o rabisco na rua alcança o patamar da beleza literária.

Esse mesmo fenômeno de uma expressão secundária, na frase, sobrepor-se ao principal e salvá-la encontra-se em… (em quê? em quem? …prepare-se o leitor para saltar dos clandestinos assaltos aos muros de São Paulo para os textos antológicos da literatura universal) …em Jorge Luis Borges. Não que se queira comparar o desconhecido grafiteiro com o criador do Aleph (ou melhor: é o que se quer, sim; prepare-se o leitor para o sublime encontro entre um autor anônimo, possivelmente sujo, talvez faminto, quase certamente desocupado, cuja diversão é vagar pelas ruas da cidade nas horas vazias da noite, e um dos luminares da literatura do século XX). (…) ” via Revista Veja, aqui

Avisos: * Maravilhoso blog da Denise Sollami, “quieta no meu canto ”, aqui. Textos inéditos e pertinentes, como sempre. Sem falar no estilo, imbatível :) * * Estou preparando para hoje ou amanhã um post desdobrando a relação entre os blogs, a imprensa e as assessorias de imprensa. Aguardem! Bjs :)

Foto: Odara, de André Cherri, via Flickr cc

 

4 Respostas

  1. querida Ana,

    que interessante mesmo!
    O amor é tudo e nos traz tudo.
    está em tudo o que é vivo
    o que é vida
    acredito nisso plenamente.
    que até uma semente
    é capaz de amar.

    … enfim,, tá lindo esse teu espaço…
    sempre, quando posso, passo por aqui.

    bj grande e muita luz para vc, teus amigos, parentes e por quem também tem a felicidade de passar por aqui.

  2. Brigadíssima, Bernardo. Você sempre gentil. E ainda fazendo comentário poético! Isso é que é luxo! Bjs!

  3. Ana,

    Estava em falta por aqui, nesse espaço tão gostoso e olha que encontro tanta novidade!
    Belíssima imagem para ilustrar o ótimo texto!
    Coisa de craque…
    Bjs!

  4. Adorei “o amor é tudo, po…” – porque é mesmo!
    E a menção a minzinha… bem, seria falso dizer que não adorei. Na verdade, amei!
    O post está ótimo!
    bjs

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