
“Informação. Nosso negócio é informação”.
É como hoje os jornais definem o seu negócio. E que negócio. Afinal, informação é um conceito tão vago. Informação é etérea, efemera, manipulada, fluida, escorre pelos dedos… Como rentabilizar informação?
Esse é o grande desafio do jornalismo atualmente. Com a popularidade da internet e, consequentemente, com a propagação de jornais digitais e blogs, entre outros, o monopólio da informação em escala acabou. Segundo o jornalista Pedro Dória no post “O Futuro do jornalismo (Que futuro?)”, “Richard Gingras, um dos fundadores da Salon.com, executivo do GoogleNews, consultor do New York Times e do (excelente) blog político Talking Points Memo, resume assim: pusemos uma rotativa nas mãos de quase todo mundo. Agora, acabou.”
A rotativa é a internet. Mais cedo ou mais tarde, as mudanças serão visiveis.
Em poucas palavras, no mundo inteiro, aos poucos, os leitores estão se tranferindo do jornal impresso para o jornal online, para a internet. A publicidade – que juntamente com a receita de venda nas bancas e assinaturas sustenta um jornal – não tem comparecido, não tem acompanhado essa transição – situação esta ainda mais critica por conta do grande concorrente em publicidade digital, o Google. Por outro lado, devido a crise finaceira atual, a verba de midia diminuiu bastante e o espaço no jornal impresso é considerado caro. Ou seja, os leitores tem migrado para a internet onde a receita publicitária (no jornal online) não tem crescido, enquanto ao mesmo tempo, este receita publicitária tem diminuido no jornal impresso. Fui clara? Considerando que, ao contrario do jornal impresso, no jornal online o leitor não paga para ler, quem paga esta conta?
Dentro deste contexto critico, naturalmente, a questão da credibilidade de um jornal vem a tona. Credibilidade vale ouro. Afinal, com a publicidade (inclusive a oficial) mais valorizada do que nunca, redações “enxutas” e fragilizadas, terceiros “vazando” notas, releases e até dossies politicos tendenciosos ou forjados (conforme o ombudsman do ig), a leitura atenta e cuidadosa de um jornal é indispensável. E a credibilidade, um diferencial indicutível.
Pedro Dória, que já citei acima, no seu post ” Objetividade da Imprensa” afirma acreditar “que a imprensa brasileira é, hoje, mais profissional e objetiva do que em qualquer outro momento de sua história”, vale ler, e conferir. Mas ele comenta a respeito da sua opacidade, afinal, a imprensa cobre todos os setores da sociedade, como o setor de aviação, o setor bancário, o setor petrolífero etc, mas não cobre a industria jornalistica! “O público percebe: está ali uma indústria opaca, talvez a única indústria que não sofre de fato o escrutínio da imprensa. É natural que desta percepção nasça desconfiança. Falta transparência, falta mostrar como a salsicha é feita (…)Talvez, para sua surpresa, uma indústria tão defensiva como a da grande imprensa descobrisse que ela é justamente a quem tem mais a ganhar se recebesse a mesma luz que joga sobre o resto do mundo.”
As mudanças estão a caminho. O NYT, p.ex, entre outras experiencias interativas, “inicia” seu novo publisher no blog City Room, sobre a cidade de Nova Iorque, onde ele interage diretamente com o leitor, conforme postou Tiago Dória. Good news!
Enfim, torço para que este desafio da imprensa seja resolvido a contento, afinal, “(…) é nela, perante os olhos de todos, que os grandes debates nacionais acontecem. A imprensa surgiu para ser a voz do cidadão e o olho do cidadão nos afazeres públicos”. Ela tem um papel fundamental na sociedade, é um dos alicerces básicos da democracia.
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Entrevista/Video de Gay Talese: “NYT errou ao oferecer notícias de graça na internet” – aqui
Foto: “Insane newspaper readers IV”, de Thori pablo, via Flickr cc
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