Loving Shakespeare

“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.”  (Shakespeare)

Amigos, estou fazendo um curso de Shakespeare na minha casa com umas amigas, ministrado por uma professora – sensacional, apaixonada e apaixonante – especializada no seu trabalho. Além do seu rico conteúdo, a forma como ele (Shakespeare) “tece” o seu texto é literalmente encantadora. Ficamos nas nuvens ao final das aulas.

Como todo mundo sabe, William Shakespeare (1564 – 1616) foi um dramaturgo e poeta inglês, amplamente considerado como o maior dramaturgo da Língua inglesa e um dos mais influentes no mundo ocidental. Suas obras, que permaneceram ao longo dos tempos, consistem de 38 peças, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias. São mais atualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo.

Ele viveu durante o renascimento e é um exemplo das novas características do homem moderno e renascentista. Valorizava, entre outros, o racionalismo, o individualismo e o naturalismo – em suas peças muitas vezes os protagonisas eram pessoas reais, com todos os seus defeitos e qualidades.

Segundo Harold Bloom, “…ele criou a noção que temos do que é humano. Sua obra torna acessível a qualquer um a sabedoria que só um filósofo pode possuir, mas que o cidadão comum não pode alcançar por meios convencionais. É uma filosofia imediata, que se dá nos dramas, na mistura de tragédia e comédia, nas passagens em que Hamlet toca no problema da metafísica e Lear conclui que o mundo é irrecuperável. Hamlet é o personagem mais sábio de toda a literatura. Shakespeare escreve tudo da forma mais natural. (…)”

Ele também era um homem politico. Segundo José Renato Ferraz da Silveira, cientista politico e professor de Ciência Política na PUC-SP, “(… ) O bardo inglês realiza a teatralização da política expressando as tensões e paradoxos que atravessam a esfera do poder: o potencial com que a Política pode contribuir ou impedir a melhoria da condição humana. Nesse sentido, a política para Shakespeare é uma atividade tipicamente humana caracterizada pelo binômio: motivação pelo poder e a inevitabilidade do conflito. Surge daí, uma das novidades da nova perspectiva de compreensão da política, ou seja, o reconhecimento da permanência do conflito. Caracterizar, portanto, a política moderna ou contemporânea é entendê-la como jogo de forças opostas resultantes dos inconciliáveis desejos humanos. Tal “choque de interesses” evidencia o caráter trágico do jogo político: conquista, manutenção e perda do poder (…)”

Futuramente, vou aprofundar mais essa veia politica de Shakespeare, que aparece até na romantica peça Romeu e Julieta (na disputa de poder entre as familias Montecchio e Capuleto, e na consequente falta de autoridade do principe de Verona, p.ex). Enquanto isso, segue abaixo um dos seus sonetos onde se pode perceber claramente sua aceitação e posição contra a idealização do objeto do amor. Deleitem-se!

Soneto 130

Não tem olhos solares, meu amor;
Mais rubro que seus lábios é o coral;
Se neve é branca, é escura a sua cor;
E a cabeleira ao arame é igual.

Vermelha e branca é a rosa adamascada
Mas tal rosa sua face não iguala;
E há fragrância bem mais delicada
Do que a do ar que minha amante exala.

Muito gosto de ouvi-la, mesmo quando
Na música há melhor diapasão;
Nunca vi uma deusa deslizando,

Mas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caro
Que qualquer outra à qual eu a comparo.

                                  **

My mistress’ eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips’ red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.

I have seen roses damask’d, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.

I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;

My mistress, when she walks, treads on the ground.
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare.

 Video: Soneto 130 – My mistress’ eyes por Alan Rickman                                                                                                           

2 Respostas

  1. Desculpem, fui editar parte do texto e ele acabou saindo totalmente da formatação. Ficou horroroso, aquém do meu padrão de qualidade :) Mais tarde, com mais tempo eu arrumo, ok? Bjs!

  2. [...] Loving Shakespeare (via Ana SimplesAssim) Filed under: Uncategorized by carlapax — Deixar um comentário setembro 30, 2010 "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia."  (Shakespeare) Amigos, estou fazendo um curso de Shakespeare na minha casa com umas amigas, ministrado por uma professora – sensacional, apaixonada e apaixonante – especializada no seu trabalho. Além do seu rico conteúdo, a forma como ele (Shakespeare) "tece" o seu texto é literalmente encantadora. Ficamos nas nuvens ao final das aulas. Como todo mundo sabe, William Sh … Read More [...]

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