
…em busca do tempo perdido.
” Existem momentos mágicos na maneira de dois seres humanos se relacionar. Eles estão contidos em algum lugar. Num olhar que se troca; numa frase que se completa; num par de mãos que se encontram. Olhares, frases, mãos, existem por toda parte. Mas é uma química, de novo, mágica, que permite que aflore alguma coisa perfeita e insubstituível, que muitos chamam de paixão. Falo em química porque reconheço a impossibilidade de uma expressão irretocável no sentido absoluto. E me permito essa divagação extemporânea porque tenho consciência da relativização de uma criação literária, ou cinematográfica….Nada acontece por acaso…O núcleo do filme está em Tommy Lee Jones, cujo personagem já não se espanta com nada. Jones não participa diretamente de nenhuma das ações que envolvem o assassino e suas presas e ainda assim está no centro de tudo. É ele que abre o filme, em off. Não está falando de Chigurth, mas de um jovem assassino que prendeu há tempos atrás. Está falando de valores esquecidos…É destes valores a que se refere o belo título, onde “old men” foi impropriamente entendido como “fracos”. É isso que permeia, delicada e imperceptivelmente, todo o filme. Onde os Fracos Não Têm Vez não é sobre a perseguição a um caipira que achou uma mala cheia de dinheiro. É sobre a corrida ao tempo que se perdeu no meio do caminho. Sua matéria-prima é o vazio – que o fazendeiro, o assassino, o xerife exprimem à sua maneira.” NELSON HOINEFF, do site “criticos.com”.
“Onde os Fracos não têm Vez é, sem dúvida, um filme sobre o tempo. Esta perspectiva está evidente nos diálogos e no registro da mentalidade regrada dos idosos no interior dos Estados Unidos, mas também na câmera dos Coen, a julgar pelo movimento lento, sutil, que acompanha a evocação de fatos antigos pelo velho Ellis diante de Bell. Se as pontes para o passado foram queimadas e não há como controlar o presente e muito menos o futuro, pode-se, é claro, fazer projeções de acordo com as evidências apresentadas. Nesse sentido, uma fala de Anton Chigurh é bastante sintomática: “você sabe como tudo isso vai acabar, não?”, pergunta a Llewelyn Moss. Os Coen seguem à risca o aviso de Chigurh. Mas o espectador se surpreende até o final da projeção.” DANIEL SCHENKER WAJNBERG, do site “criticos.com”.
“Onde os fracos não tem vez” era o meu favorito entre os que concorriam pelo prêmio de melhor filme no Oscar 2008. É um filme árido e rascante, que nos tira da zona de conforto. A narrativa, a câmera, os diálogos são econômicos, sintéticos…Sequer tem trilha sonora. O espectador está sempre no melhor ângulo e se sente também perseguido pelo psicopata assassino que surpreende a todo instante. E ele não se deixa tocar em momento algum. No máximo permite que a sorte decida e propõe uma aposta tipo “cara ou coroa”.
Se destacam também, especialmente, duas cenas envolvendo dinheiro: a primeira quando o fazendeiro, ferido de morte na fronteira do México, compra a jaqueta de um rapaz e pede também a cerveja dele – que entra na negociação. A segunda foi no final, quando o assassino, também ferido de morte, oferece dinheiro pela camisa de um adolescente que se dispõe a dá-la de graça. E o desejo do assassino é mais do que comprar a camisa: ele também quer comprar o silêncio. Em seguida, o adolescente discute com um colega, que também presenciou a cena, pelo dinheiro, pois o outro, por ter presenciado a cena, se acha também com direito a parte dele. Ou seja, no primeiro momento, as pessoas se surpreendem com a proposta de vender alguma coisa, mas em seguida, se deixam seduzir pela proposta e começam a negociação. Conclusão: tudo se vende, tudo se compra. Impressionante. Daí o lamento final de que os tempos mudaram e, infelizmente, valores se perderam. E a gente termina com a impressão de que o protagonista do filme é o malote de dinheiro.
“Sangue Negro” também é um excelente filme, e também traz uma temática pessimista. A gente sai do cinema pensando na vida daquele homem – tão sem sentido. Pra quê aquilo tudo? A transfiguração do Daniel Day-Lewis é espetacular. Até sua expressão corporal é perfeita. O premio de melhor ator foi merecidíssimo, assim como o de fotografia – belíssima, aproveitando muito das cenas de fogo, e incêndio.
“Desejo e Reparação” é outro ótimo filme, com fotografia lindíssima, roteiro muito bom, atores excelentes – como a Keira Knightley é bonita e charmosa, não?
Enfim, esses três são, na minha opinião, os que merecem mais destaque. No vídeo do José Wilker linkado aqui, ele menciona sua preferência por “Juno”, que achei bom, mas não o suficiente para ganhar um Oscar. Em todo caso, vale uma olhada (no vídeo) para entender os argumentos dele, sempre válidos.
Queridos, termino por aqui. Para quem se interessar mais, vale conferir a lista completa e os trailers dos vencedores do Oscar 2008 e os blogs que fizeram uma cobertura bem-humorada do Oscar (festa, fofocas, modelitos etc)
Falando em fofocas, li em algum lugar que George Clooney estaria “escondendo a namorada”. Que gente maldosa, né não? Coitada! Ora, ser a namorada dele e não poder contar para ninguém…perde parte da graça. Ninguém merece, não é?
Mas essa foto do post está aqui de prova. Claro que não está mostrando o rosto da sortuda…mas por acaso alguém quer ver? :)
Foto capturada no site ig
Arquivado em: cinema
