
Mais fotos lindíssimas, aqui
Deu na Luciana Fróes. Ou melhor, deu no caderno “Ela” do Globo desse sábado, numa matéria assinada pela querida Luciana Fróes: “ Callas & Bocas – Livro traz receitas da maior soprano de todos os tempos, que foi também comilona das boas”. Infelizmente não tenho como linkar a matéria do Globo Digital, mas linko esse post do blog da Luciana, aqui.
“ … acabou de ser editado na Itália “La Divina in cucina: il recetario segreto di Maria Callas”, uma reunião de receitas do que a Diva gostava de comer. A moça era boa de boca. Daí, irresistível cravar no “Callas e bocas”. Minhas desculpas em sustenido. Desafinei, eu sei que desafinei…
O livro traz 160 receitas de Maria Callas criadas especialmente por chefs como Arrigo Cipriani, Rolando Lani e Nicola Rogato. E também pelo seu mordomo e o cozinheiro do iate “Cristina”, do já então maridão Onassis….”
Sem dúvida, sua relação com a comida era fortíssima. Segundo matéria excelente da revista Arte Livre, a cantora possuía:
“… Uma voz cortante, poderosa, capaz de levar o ouvinte a abismos de paixão ou de dor lancinante. Maria Callas é a emoção superlativa. Uma diva única, quase força da natureza…. Outra façanha de Maria refere-se à silhueta. Da soprano gordinha, em poucos meses ela se transformou em uma sílfide e abriu um debate acalorado sobre o impacto do emagrecimento sobre sua voz. Esse episódio é apontado como uma das maiores provas de sua quase legendária persistência, uma força de vontade assombrosa que a atraía como ímã para todos os desafios, tanto na carreira artística como na vida íntima…”
E finalmente, em outro post, Luciana, sempre divertida, conta:
“Nessa onda de Callas prá cá, Callas prá lá (no meu mundinho, naturalmente), uma amiga da minha filha ficou curiosa e quis comprar um cd ou dvd, não lembro direito, da Maria Callas. Chegou na loja e pediu ao vendedor. E aí, eis a cena:O mocinho chegou, fez aquele sinalzinho com os dedos do tipo “chega aqui prá ninguém ouvir) e mandou essa: “Olha, não é Maria Callas que se fala. É MARIAH CAREY!
Callas te boca total”.
Encerrando e aproveitando esse final de semana chuvoso, nada como uma boa comida italiana acompanhada de um bom vinho, não é? Você tem alguma receita fácil e gostosa? Deixe aqui sua sugestão. Eu vou deixar a minha, um risoto de camarão com abobrinhas – di.li.cia! Olha lá nos comentários :)
Bom apetite e até o próximo post, na segunda-feira, a “Segunda Blogada”, sobre web 2.0 e os jornais, interatividade e Internet, acompanhado de uma entrevista.
Veja:
Maria Callas na Wikipédia, aqui
Maria Callas, O Mio Babbino Caro – vídeo de dois minutos, aqui (estou repetindo, eu sei, mas não resisti – é tão bonito…)
Arquivado em: celebridades, gastronomia






Risoto de camarão com abóbrinha e ervas aromáticas:
10 flores de abobrinhas; 4 abóbrinhas médias; 2 tomates maduros; 2CS azeite extra virgem; 2 dentes de alho; folhas de manjericão para decorar
Cortar as abóbrinhas em tirinhas, e refogue-as no azeite. Em outra panela , refogar o camarão. Junte as flores de abobrinhas cortadas ao comprido, as abóbrinhas refogadas. Preparar o risoto com ao caldo do camarão, e ao final acrescentar os camarões com a abóbrinha. Decorar com folhas de manjericão.
Servir imediatamente. Além de delicioso, fica lindo por causa do colorido verde das abobrinhas.
Adoro Maria Callas e sua tecnica de levar suas interpretações ao extremo ,muito legal mesmo ,estou desenvolvendo meu whistle register e quero se tão bom cantor ,como ela foi
A VOZ DE OURO
(para Maria Callas)
De vez em quando,
o acaso, o destino,
escolhe alguém para ser o maior,
único naquilo que faz…
a jovem Maria,
iluminada pelos deuses,
teceu ponto a ponto,
uma lenda de nosso tempo.
Uma lutadora capaz de vencer
com as cartas que a vida lhe dera.
Uma criatura frágil, presa de uma febril
agitação, dores, temores e amor hostil.
O oásis da infância de Maria foi a música,
que a fazia esquecer suas tristezas
e suas falhas reais e imaginárias.
Desde cedo, a música representou para ela,
uma razão de ser e de existir.
Sua cabeça estava cheia de árias, trincados,
escalas, volatas, glissandos e cadências,
todos os ornamentos do bel canto.
Olhando através das grossas lentes de seus óculos,
Maria não podia ver que um dia seria conhecida
como La Divina, a Prima Donna Assoluta,
a Voz de Ouro do século.
Há pessoas que escrevem sua biografia,
deixando a marca de sua passagem por esta vida.
Sua firme determinação era seu escudo,
porém sua maior arma era sua crença
inabalável em seu valor artístico;
nos poderes misteriosos de sua voz,
talvez uma percepção intuitiva de sua grandeza.
Maria seguiu olhando para o futuro,
esperando o clarão do relâmpago.
E o clarão surgiu, mergulhando-a
numa espécie de névoa, num sonho,
vivendo e revivendo numa roda-viva,
várias heroínas no palco:
Aída, Armida, Carmen, Fiorilla, Gilda,
Kundry, La Gioconda, Leonora, Lucia,
Medea, Norma, Tosca, Turandot, Violetta …
sua vida foi um misto de tragédia e contos de fadas,
tão dramática e apaixonante como acontece
na mitologia grega… contudo, o mesmo amor,
que a fez desabrochar como mulher,
a secou, a murchou, a abandonou.
E mesmo em sua solidão,
o mundo estava a seu lado.
Porém em seu imenso desespero,
em sua terrível resignação,
não conseguiu perceber e gritar
por socorro, e seu olhar dia a dia,
perdeu-se no nada, como se atrás
de seus olhos não existisse ninguém.
Em setembro, numa manhã parisiense,
sentiu uma dor aguda no lado esquerdo
e caiu morta… suas cinzas foram levadas
para a Grécia, e lançadas ao mar Egeu,
o mar que ela tanto amava e onde ela continua viva,
e como todo grande espírito, para sempre iluminada.
Regina Rousseau