PEU das Vargens – absurdo 2

de claudius

Andrea continua denunciando esse absurdo (veja aqui) e pergunta: “Seria esta história uma fantástica demonstração de competência ou uma forma grotesca de zombar da inteligência de todos os cidadãos?” Vejam abaixo:

“Obra de Ficção.

Para que todos tenham uma idéia da origem do misterioso Peu das Vargens, aprovado sem discussão e em tempo recorde, reproduzo a ata da reunião, ocorrida na tarde de 22 de outubro, uma quinta-feira, dia em que a sessão normal caiu por falta de quórum mínimo de 17 vereadores.

A ata foi publicada na terça-feira seguinte, 27 de outubro, mesmo dia da publicação do texto do projeto de lei complementar, votado à tarde.

A ata revela duas coisas:

1- Não havia 17 vereadores no plenário da Câmara para abrir a sessão normal, mas havia 23 vereadores para participar de uma reunião para a qual não houve convocação formal. Vários vereadores, inclusive presidentes dessas comissões, não foram avisados.

2- Numa sala, onde em torno da mesa não cabem nem 15 pessoas, amontoaram-se 23 e, como num passe de mágica, decidiram, por sua conta e risco, sem ouvir ninguém, que as Vargens precisavam de um novo projeto urbanístico. Em menos de três horas, brotou uma complexa proposta, com nove páginas de texto, recheado de muitos mapas e anexos.

Seria esta história uma fantástica demonstração de competência ou uma forma grotesca de zombar da inteligência de todos os cidadãos?

Veja aqui o Diário da Câmara Municipal – TERÇA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2009 – PÁGINAS 53 E 54.

Os sete vereadores que votaram contra o PEU das Vargens encaminharam uma representação ao Ministério Público. Clique e veja, na representação, as leis que foram descumpridas.

O Estatuto das Cidades, a Lei Orgânica do Município e o Plano Diretor determinam que as leis urbanísticas só podem ser votadas após audiências públicas. Em audiência na Câmara, nesta sexta-feira, o secretário de Urbanismo, Sérgio Dias, concordou que é assim que deve ser feito e citou como exemplo o Peu da Penha, que passou pelas audiências.

Um abraço, Andrea Gouvêa Vieira”

Leiam mais no site da Andrea Gouvea Vieira, aqui:

Assunto aqui não falta…

traficante carioca

Charge Via blog do Noblat, aqui

Recem chegada de Nova Iorque, onde passei uma semana – tranquila! - , é inevitável me sentir assustada e ter uma sensação de desgoverno na nossa cidade, de desconforto no nosso pais. Leio, p.ex, sobre “o bode na sala do pré-sal”, onde resolvendo a questão dos royalties dos estados produtores, todo o resto deve ser aprovado, afinal, o bode (royalties) sai da sala. Leio a declaração do Beltrame de que “o Rio não é uma cidade violenta”. Como não? Com base em que estatistica ele afirma isso? Todo mundo sabe que existe estatistica para qualquer interesse, não é? Por isso credibilidade é tudo. Será  então “maquiagem” de informação? Não, por favor,  prefiro a verdade. Ainda bem  que os jornais – especialmente O Globo – estão cumprindo o seu papel de zelar e denunciar as irregularidades dos orgãos públicos. Leio sobre a quadrilha que frauda as licitações relativas as obras para a Copa 2014 e Olimpíadas 2016 e leio também denuncias sobre a mudança “urgente” da legislação de ocupação urbana na cidade, também com vistas a estas obras… (vejam aqui, em PEU das Vargens). E se não bastasse, ainda leio que o  vicio em crack cresce exponencialmente….

Ufa! Assunto aqui não falta.  As coisas estão muito esquisitas, sinceramente.

Nos próximos posts pretendo comentar melhor essas questões, e contar de Nova Iorque e da maratona da cidade. Até lá, para quem quiser, estou em “real time” no Twitter – aqui na coluna da direita.  Bjs! :)

PEU das Vargens – absurdo

Amigos, segue abaixo e-mail que recebi hoje (05nov2009) da vereadora Andrea Gouvea Vieira, sobre a mudança na legislação feita - inexplicavelmente em regime de urgencia – com relação aos parâmetros de construção e de uso do solo na cidade do Rio de Janeiro.  Conheço a Andrea, mas, mesmo assim quis ouvir outra opinião, especializada, e apurei esta informação. E ela está certíssima.  

“Caros companheiros de mobilização:

Ontem, terça-feira, foi aprovado em segunda e última votação o Peu das Vargens, que estabelece parâmetros de construção e de uso do solo naquela importante região do Rio. A votação foi de placar amplo: 40 X 7. Infelizmente, nem mesmo a presença da imprensa constrangeu os vereadores. Tudo foi feito em uma semana. Sequer houve tempo para entender direito o projeto e o que acontecerá ali após as mudanças. A perspectiva é de uma gigantesca especulação imobiliária, com ganhos milionários para alguns, adensamento populacional e construtivo e nenhuma proteção ambiental. Como desculpa, naturalmente, a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Nunca, em meus quase cinco anos de mandato, vi tamanho absurdo. E, até agora, a autoria é um mistério.

Apesar de insistentemente cobrado, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), não respondeu às indagações sobre o desrespeito à Lei Orgânica do Município, ao Plano Diretor e ao Estatuto das Cidades, que exigem amplo debate e audiências públicas para aprovação de legislação urbanística.

Ontem mesmo, os sete vereadores que votaram contra o projeto protocolaram uma representação junto ao Ministério Público. Hoje, seremos recebidos pelo coordenador do grupo criado pelo MP para fazer o controle das ações relacionadas às Olimpíadas.

O ideal seria que o prefeito vetasse a lei. Como guardião da legalidade, o prefeito tem o dever de não sancionar leis inconstitucionais, caso flagrante do Peu das Vargens. Ele poderia reenviar a proposta à Câmara para que fosse feito o debate democrático e transparente. Mas, como enviou emendas ao projeto de lei, o prefeito tornou-se coautor da ilegalidade.

É importante que a sociedade saiba como votaram os vereadores:

Apareceram oficialmente como autores do projeto de lei:
Comissão de Justiça e Redação: Jorge Pereira, Roberto Monteiro e Luiz Carlos Ramos;
Comissão de Administração e Assuntos Ligados ao Servidor Público: Renato Moura e Lucinha;
Comissão de Assuntos Urbanos: Chiquinho Brazão e Alexandre Cerruti;
Comissão de Meio Ambiente: João Cabral, Dr. Fernando Moraes e Paulo Messina;
Comissão de Higiene, Saúde Pública e Bem-Estar Social: Dr. Carlos Eduardo e Dr. Jorge Manaia;
Comissão de Abastecimento, Indústria, Comércio e Agricultura: Bencardino e Dr. Gilberto;
Comissão de Esportes e Lazer: Rosa Fernandes, Tio Carlos e Lucinha;
Comissão de Obras Públicas e Infraestrutura: Cristiano Girão e Dr. Fernando Moraes;
Comissão de Transportes e Trânsito: S.Ferraz, Liliam Sá e Elton Babú;
Comissão de Turismo: Elton Babú e Bencardino;
Comissão de Finanças, Orçamento e Fiscalização Financeira: Professor Uóston e Nereide Pedregal.

Na primeira votação, no dia 27 de outubro, votaram a favor do projeto: Alexandre Cerruti, Aloísio de Freitas, Bencardino, Carlo Caiado, Chiquinho Brazão, Claudinho da Academia, Cristiano Girão, Dr. Carlos Eduardo, Dr. Eduardo Moura, Dr. Fernando Moraes, Dr. Gilberto, Dr. Jairinho, Dr. Jorge Manaia, Elton Babú, Fausto Alves, João Cabral, João Mendes de Jesus, Jorge Braz, Jorge Felippe, Jorge Pereira, Jorginho da SOS, Leonel Brizola Neto, Liliam Sá, Lucinha, Luiz Carlos Ramos, Nereide Pedregal, Patrícia Amorim, Paulo Messina, Professor Uóston, Renato Moura, Roberto Monteiro, Rogério Bittar, S.Ferraz, Tânia Bastos, Tio Carlos e Vera Lins.

Oito vereadores votaram contra o projeto: Alfredo Sirkis, Andrea Gouvêa Vieira, Carlos Bolsonaro, Clarissa Garotinho, Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro, Reimont e Stepan Nercessian.

Não votaram, mas estavam com presença no plenário: Adilson Pires, Ivanir de Mello, Marcelo Piuí e Teresa Bergher.

Estavam  ausentes: Aspásia Camargo, Eider Dantas e Rosa Fernandes

Na segunda votação, no dia 3 de novembro, estavam presentes 45 vereadores.

Votaram a favor 38: Adilson Pires, Alexandre Cerruti, Aloísio de Freitas, Bencardino, Carlo Caiado, Chiquinho Brazão, Claudinho da Academia, Cristiano Girão, Dr. Carlos Eduardo, Dr. Eduardo Moura, Dr. Fernando Moraes, Dr. Gilberto, Dr. Jairinho, Dr. Jorge Manaia, Elton Babú, Fausto Alves, João Cabral, João Mendes de Jesus, Jorge Braz, Jorge Felippe, Jorge Pereira, Jorginho da SOS, Leonel Brizola Neto, Liliam Sá, Lucinha, Luiz Carlos Ramos, Marcelo Piuí, Nereide Pedregal, Patrícia Amorim, Professor Uóston, Renato Moura, Roberto Monteiro, Rogério Bittar, S.Ferraz, Tânia Bastos, Teresa Bergher, Tio Carlos e Vera Lins.

Sete votaram contra: Alfredo Sirkis, Andrea Gouvêa Vieira, Clarissa Garotinho, Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro, Reimont e Stepan Nercessian.

Não votaram, mas estavam com presença no plenário: Carlos Bolsonaro, Eider Dantas, Ivanir de Melo e Paulo Messina

Estavam ausentes: Aspásia Camargo e Rosa Fernandes

Quem quiser ajudar na mobilização a favor de uma ação, agora na esfera jurídica, pode acionar o Ministério Publico, procurando a Ouvidoria, pelo telefone 127, ou pelo site www.mprj.gov.br (entrar na página da Ouvidoria). Outra forma de manifestação é enviar mensagens ao prefeito pelo e-mail eduardopaes@pcrj.rj.gov.br pedindo que ele vete o projeto.

Um abraço, 

Andrea Gouvêa Vieira”

Leiam mais no site da Andrea Gouvêa Vieira, aqui

Para onde caminhamos… Será? Interessante, não?

 

Aproveitando, ainda na esteira de jornalismo, com viés forte em tecnologia, vale acompanhar o excelente blog do Silvio Meira ( doutor em Ciência da Computação pela University of Kent at Canterbury, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco, onde coordena projetos de pesquisa. Fundou o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.) e é consultor do Programa da ONU para Desenvolvimento Científico e Tecnológico), aqui.
 
 E em breve volto a falar um pouco de jornalismo, ok? Bjks! :)
 

 

Rio 2016!? Yuhuuu! :))

 WAW!!!!  Ma-ra-vi-lho-sa  vitória!  Nossa cidade é uma delícia! Vejam abaixo os emocionantes filmes do Fernando Meirelles que foram parte da campanha do COB. Vamos arrasar! :)

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E aqui outro filme, mais bonito ainda, se é que isso é possivel, ao som de “Aquele Abraço”  do Gilberto Gil. Para quem não é carioca, me desculpe, eu sei que estou esnobando. Mas não resisto. Posso?  :)

E convenhamos: nunca antes na história deste país, tivemos em dez anos um Pan Americano, uma Copa do Mundo e uma Olimpíada! Possivelmente, a “conjunção astral” desses três eventos (quase simultâneos) nunca tenha acontecido no mundo!

Enfim, como postou Mauro Ventura, aqui, “ Todos os temores com a realização das Olimpíadas - desvio de recursos, violência, falta de infraestrutura, uso de dinheiro que deveria aplicado em educação e saúde – empalidecem comparados ao que a cidade ganha.” 

Estou felicíssima. A campanha foi impecácel, parabéns a todos!

Bjks olímpicas! :)

Leia mais aqui. 

Encontro, beijinhos, peixinhos…

Costumo me despedir dos amigos mais queridos com beijinhos. Por e-mail, às vezes, brinco e até abrevio para “bjins“. Vale destacar que, obviamente, a patrulha adolescente aqui de casa já tinha me avisado que isso, meus beijinhos, são absolutamente “ridículos”. Mas eu não ligava, era uma ridícula assumida.

Porém, numa ocasião, trocando e-mails com uma pessoa encantadora que eu tinha encontrado, ou melhor, na verdade uma pessoa que tinha me encontrado – tem quem diga que é assim que funciona: quem não procura, acha – pois é, me despedi dessa pessoa mandando “beijinhos“. Ato contínuo, não querendo parecer muito ridícula, lembrei dessa música abaixo e expliquei que os meus beijinhos eram inspirados nos beijinhos – peixinhos” do Tom. Cliquei “enviar” e pronto. Foi.

Quinze minutos depois, recebo a letra completa por e-mail acompanhada pela seguinte pergunta: “… beijinhos na boca?”

Desconcertada, fui ler a letra completa e conferi:

“(…) Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca (…)”

Gente, eu fiquei tão, mas tão sem graça… Não lembrava que os beijinhos eram na boca! Fiquei alguns segundos pensando e repensando… e respondi que enfim, se eu disse, e ficou registrado pois eu escrevi isso…  bem, como sou uma mulher de palavra, fazer o que, não é? Promessa é dívida! :)

Bjks em todos!

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida” (Vinicius de Morais)


Chega de saudade, de Tom e Vinicius

Vai minha tristeza,
e diz a ela que sem ela não pode ser,
diz-lhe, numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso Mais sofrer.
Chega, de saudade
a realidade, É que sem ela não há paz,
não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca,
dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim…

É a politica, idiota!

Meus queridos, me desculpem a grosseria, não é meu estilo de jeito nenhum. Sou infinitamente mais suave – embora também infinitamente perseverante, acreditem. Mas isso não vem ao caso agora. O que vem ao caso, é o seguinte:

Para começar, afinal, Ana SimplesAssim também é cultura (!), esse título foi inspirado no slogan da vitoriosa campanha presidencial do democrata Bill Clinton, em 1992. O idiota em questão seria o principal adversário dele, o republicano George Bush, pai.

pré-sal 2

Aqui, no nosso caso, o idiota sou eu, é você, somos nós… Só não vê quem não quer. Ou será que alguém acredita de verdade que toda movimentação a respeito do novo marco regulatório proposto pelo governo para a camada pré-sal não tem fortes motivações políticas?

Uma proposta governamental que não se justifica técnicamente, mas que é altamente estatizante ( a história comprova: estatização costuma ser ineficaz no mundo todo); um jogo de palavras manipulador;  imagens significativas (Dilma e Sarney sempre posicionados no lugar de honra, “sentados à direita” – e não me digam que é pelo protocolo, me poupem), uma retórica que confunde maliciosamente nacionalismo com patriotismo…. Pensem bem, sinceramente, quem é idiota aqui? Quem se sujeita a esse papel? Fala sério, né? :)

Bjks! Volto amanhã com outra música do momento, ok? Para suavizar um pouquinho… mas ir seguindo. Afinal, eu sou brasileira e não desisto nunca ;)

pré-sal 3

Leiam mais: 

Ivo Lúcio Santana Marcelino da Silva, geólogo : ” O uso intensivo da mídia pela PETROBRAS e pelo Governo Federal para vender a chamada descoberta de petróleo do século e a redenção do BRASIL, é um caso típico de desserviço prestado ao BRASIL e ao seu povo, um país com problemas crônicos, principalmente na área da educação e da saúde, que clamam por solução de há muito, para que a Presidência da República coloque o Congresso Nacional contra os brasileiros e as futuras gerações, forçando-o a aprovar, em regime de urgência, um marco regulatório para a exploração de petróleo do PRÉ-SAL, que não serve para nada no momento, a não ser desviar a atenção da população de seus reais problemas. É que toda e qualquer declaração atual sobre qualquer possível volume de petróleo descoberto no PRÉ-SAL não passa de pura especulação. Não existe no mundo ninguém e nenhum geólogo de petróleo em nenhuma companhia de petróleo, inclusive na PETROBRAS, que consiga chegar a um desses valores declamados em prosa e verso e provar que ele é verdadeiro. São somente estimativas, em virtude da falta de uma base confiável de parâmetros que permitam cubar qualquer reserva de petróleo dessa ordem de grandeza.(…), aqui.

Caminhando contra o vento… eu vou!:)

Da série minha vida musical :)

Essa música é ótima e esse video leve e delicioso, não deixem de ver – chega a ser uma brincadeira do Caetano Veloso e do Roberto Carlos. E além do mais, incrivelmente, cada estrofe da letra ainda tem tudo a ver com os tempos atuais – notadamente o mix de emoções e fatos contraditórios da vida, e do noticiário – especialmente aos domingos.

“O sol nas bancas de revista…Me enche de alegria e preguiça…Quem lê tanta notícia… Eu voooou…”

Coragem. E vamos aos  jornais de domingo!  Vai encarar? Fui!  Bjks!

Alegria, Alegria, de Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou…

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou…

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot…

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou…

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não…

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou…

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou…

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil…

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou…

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou…

Por que não, por que não…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…
Por que não, por que não…

Pré-Sal Tabajara – Um mes de Carnaval!…

… porque ninguém é de ferro!

blg-pd-pl-humor-politica-lula-pre-sal-e-genio

Deu no blog do Cachorro Louco, “Com o pré-sal haverá mais dinheiro, e os hospitais terão dois médicos para cada paciente, talvez tres se o caso for grave; todas as escolas públicas terão ar condicionado nas salas e ônibus de luxo para buscar as crianças em suas casas. Haverá dinheiro jorrando em fontes nas praças das grandes cidades .Todo cidadão brasileiro, que votar no PT, é claro, terá sua casa própria com financiamento a juros baixíssmos e prazos longuíssimos. As favelas serão urbanizadas, e não faltará mais pão na mesa do pobre. Aliás não existirão mais pobres com tanto dinheiro que o governo vai arrecadar com o petróleo. Viveremos a partir do pre-sal uma verdadeira época de ouro, artigo que também não faltará mais neste país .Todas as favelas e comunidades pobres terão filiais da Daslu, para que suas mulheres possam ir para o trabalho de faxina tão bem vestidas como suas patroas. Dobraremos o número de feriados emendados para que o povo possa usufruir do lazer que esta nova riqueza proporcionará a todos. Claro, teremos um mes inteirinho de carnaval, pois afinal ninguém é de ferro. E os trabalhadores terão 14 salários por ano e um mês de férias a mais. O mundo inteiro se curvará diante do Brasil.O mundo nunca viu tantas riquezas em um só pais. Lula vai instituir o Bolsa Paris, para que todo e qualquer trabalhador póssa conhecer a cultura européia começando com a Cidade Luz . Teremos também o Bolsa Disneylandia para que as crianças possam conhecer as maravilhas tecnológicas do Epcot Center. Você já ouviu falar dos alquimistas medievais que pesquisavam em busca da Pedra Filosofal que transformava as coisas em ouro? O pré-sal é muito melhor que isso e, além do mais, é brasileiro e nenhum gringo vai tacar a mão.

O pré-sal só tem alguns probleminhas que são ridículos de tão pequenos. O custo de exploração é muito maior do que o normal pois o equipamento para cavar em grandes profundidadaes é mais caro e se estraga mais depressa por causa da camada de sal. Não se sabe ainda se o que for colhido será suficiente para custear esta utopia apregoada por Lula. Os equipamentos para extraçaõ de petróleo nessas regiões não estão completamente desenvolvidos. A tecnologia é experimental. O pre-sal só começará a ser explorado a partir de 2015…(…)”

Problemas….detalhes tão pequenos … e afinal, mãe é mãe!

Deu no Estadão (editorial): “(…) A fala de Lula, quanto não mais não fosse, deixou claro que o jogo pesado eleitoral e a exumação da ideologia estatista são faces da mesma moeda. A ansiedade com que o governo quer ver aprovadas as normas para a exploração das megarreservas – cujos frutos não serão colhidos antes do final da próxima década – tem duas origens que se encaixam e explicam a imposição da chamada “urgência constitucional” para a tramitação da matéria no prazo de 90 dias. De um lado, o intento de propagar, já no início oficial da campanha do próximo ano, que Lula e Dilma deixaram tudo pronto para o País receber “o bilhete premiado” do pré-sal, numa exploração deslavada do sentimento de brasilidade da população, equiparando desonestamente patriotismo e nacionalismo. (…)”

Bjks!

Baby, Baby…

Deve ser por isso que eu sou uma pessoa tão musical. Minha mãe sempre adorou música. Desde ópera até música popular. E sempre ouviu muito. Lembro eu ainda garota em casa, e ela ouvindo música na vitrola. E repetia… A sua música favorita do momento era conhecida, afinal, todo mundo ouvia junto – é claro, naquela época não existia nada parecido com um protótipo do ipod.

Gosto de lembrar dela ainda moça, nos educando. Minha mãe se dedicava. Sempre bem humorada e doce, muito eclética e generosa, não tinha praticamente nenhum preconceito, era tolerante. Moderníssima, ela fazia até psicanálise em grupo e seguia a risca o lema “é proibido proibir”. Tudo era conversado… e analisado: tudo tinha um por quê. “Dor de cabeça? É raiva reprimida. Dor nas costas? Tensão, medo… Qual é o problema?” Isso para meu desespero, naturalmante, afinal, tudo que uma adolescente nerd e timida não deseja é uma mãe moderninha de visual hippie chique, tipo filme americano, aconselhando a ser mais leve, mais sorridente, menos séria… Era o que me bastava para eu revirar os olhos, amarrar a cara e me fechar no quarto.

Hoje eu sou mais sorridente, e é recorrente me definirem como leve e suave -  meus filhos dizem até que eu sou “fofinha”. :) Mas, certamente, continuo séria e perseverante. Fazer o que, né? É da minha essencia, e eu gosto assim :)  Pois é, isso tudo para dizer que, de vez em quando, me surpreendo com as músicas que conheço – eu e minha irmã até já rimos comentando isso: somos capazes de cantarolar várias músicas de épocas e estilos diferentes!

Ontem, lendo o ótimo post da Denise S. sobre Caetano Veloso e o filme Coração Vagabundo, “sem complexo de entidade”, aqui, acabei no youtube onde achei, por acaso, uma musica que foi uma das preferidas da minha mãe naquela época. Ela já gostava dos “baianos”. A letra é doce e delicada, a cara do Caetano, assim como também é a cara da minha mãe, doce e delicada até hoje – graças a Deus!

Vejam que delicia! E caso haja curiosidade – que tal? -, segue também a mesma música em versão de 1978, aqui, com a mesma Gal Costa - olhem a cinturinha! 

Bjks musicais! Ana :)

Nota: O post “Pré-Sal Salgado” (2), sai na 2a ou 3a feira. Não deixem de ler, assim como ao anterior, abaixo, ok? É importante.

Baby, de Caetano Veloso. 

Você precisa / Saber da piscina / Da margarina / Da Carolina / Da gasolina / Você precisa / Saber de mim

Baby, baby

Eu sei / Que é assim

Baby, baby

Eu sei / Que é assim

Você precisa / Tomar um sorvete / Na lanchonete / Andar com gente / Me ver de perto / Ouvir aquela canção / Do Roberto

Baby, baby

Há quanto tempo

Baby, baby

Há quanto tempo

Você precisa / Aprender inglês / Precisa aprender / O que eu sei / E o que eu / Não sei mais / E o que eu / Não sei mais

Não sei / Comigo / Vai tudo azul / Contigo / Vai tudo em paz / Vivemos / Na melhor cidade / Da América do Sul / Da América do Sul / Você precisa / Você precisa…

 Não sei / Leia / Na minha camisa

Baby, baby

I love you

Baby, baby

I love you…

Pré-Sal Salgado (1)

Contratos de partilha de produção não contemplam a cobrança das participações especiais, que são divididas hoje entre União (50% da arrecadação), Estados (40%) e municípios (10%). Ao contrário, a partilha de produção dará o ganho de produtividade apenas à estatal da União, segundo sinais emitidos pelo Planalto. Qual a razão de se mudar para partilha? O governo vende melhor petróleo do que a Petrobras? Quer sujar as mãos de petróleo? Ou é apenas para ficar com toda a receita? É assim que funciona uma Federação?”, questiona Joaquim Levy, secretário de Fazenda do Rio de janeiro .

“Falta bom senso. Do nosso ponto de vista, a discussão é irracional. Nós temos uma legislação absolutamente apropriada. O governo já poderia se apropriar da renda do pré-sal com um simples decreto presidencial”, afirmou Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro.

pré-sal

Amigos, apesar de toda minha boa vontade em entender todos os argumentos – os que já me conhecem podem bem imaginar o quanto já pesquisei e li sobre esse assunto - concordo totalmente com nossos secretários acima. Para começar,  nada me convence com relação a esse divisor de águas que é a premissa – que está sendo vendida pelo governo – de que o modelo de concessão é para áreas de alto risco e baixa rentabilidade. Pergunto: (1) Por que? (2) Quem diz isso? (conhecimento do assunto, credibilidade, isenção ); (3) Quais são as evidências dessa afirmativa? (relação dos paises produtores x produção x modelo x regime politico). Convenhamos, diante da seriedade do tema, evidências consistentes são importantísimas. 

Finalmente, por ora: (4) Considerando que a União hoje já fica com 50% da renda do petróleo (vide  inicio), suponho que sempre pode – e ainda pode –  investir esse montante em educação, ciencia e tecnologia, previdencia, cultura, fundo social  etc etc, não é?  Se, sabe-se lá o porque,  ainda não o fez, possivelmente foi por falta de vontade. Não me digam que para faze-lo resolveu agora retirar esse valor do Rio de Janeiro? Afinal, o que está por trás disso?

Leia mais: Participação especial no pré-sal preocupa Rio de janeiro, diz Levy e o ótimo texto do editor do Caderno Dinheiro da Folha de São Paulo,  Sérgio Malbergier, que destaca a essencia eleitoreira do novo projeto para o pré-sal e o “dilmício” de apresentação dele na próxima 2a feira, em ” O petróleo é dela”, aqui

Atualização em 31/08/2009:

 Segundo Adriano Pires,  “O marco regulatório é tão importante porque ele vai definir se o Brasil continua sendo um país com segurança legal e consequente atratividade ao investidor. A maior parte dos países hoje que são produtores de petróleo tem risco de investimento político, como é o caso da Venezuela, ou sociais, no Oriente Médio”

Segundo David Zylbersztajn, “O setor está parado. Se já tivessem licitado essas áreas (dos blocos do pré-sal, sem mudar a lei atual) teria entrado um dinheiro monstruoso no Brasil. O petróleo estaria em um estado mais avançado do que está hoje, e o governo anteciparia em muito a arrecadação de tributos (…) não há necessidade de se mudar as regras nem o modelo para realizar a exploração dos blocos que contêm petróleo na camada pré-sal. (…) o atual modelo vigente no Brasil, de concessão por licitação, é suficiente. Graças à lei que está aí é que o setor pegou essa dinâmica. Ela tem dado estabilidade ao setor, atraído investimentos e achado petróleo. Não é porque se encontrou mais petróleo, ou porque fica embaixo do sal ou na lua que tem que mudar a lei. Ela não tem prazo de validade ou limite de quantidade de óleo”

 Leiam mais (inclusive com video) aqui: Tudo sobre as ‘regras do jogo’ para o pré-sal

Continuo 2a ou 3a feira, no “Pré-Sal Salgado (2)”, onde vou comentar, entre outros pontos,  um estudo de custo-oportunidade feito pelo Julio Bueno, secretário mencionado acima, grande conhecedor da industria petrolífera - na teoria e na prática -, afinal trabalhou a vida toda nesse setor, e hoje chefe de uma querida e corretíssima amiga minha que tem a maior admiração por ele. Portanto, credibilidade total.  Vide ótima matéria aqui

Lina Vieira é sexy?

lina vieira 2

Abro o jornal Globo e leio na Ana Cristina Reis, no caderno Ela: ” Dilma com plástica e colar de pérolas, até que tenta fazer uma linha fashion, mas Lina Vieira chegou e arrasou com a ministra. Até quando faz cara de “cala-te-boca” a ex secretária da Receita Federal dá um show de elegancia com seu tailler, sua camélia estilizada e seu colar.(…) E o espirito é o mesmo: nós mulheres (quando*) somos princesas, não perdemos a realeza. (…) Lina Vieira e Marina Silva, com certeza.”

Ato continuo, lembrei de uma busca que algum leitor fez no Google nesta semana e que chegou ao meu blog: ” Lina Vieira sexy”. Confesso que no primeiro momento, achei graça e pensei: “Mas só pensam nisso… “. No entanto, agora pensando melhor, huummm, confiram: ela é bonitona, se veste bem – com criatividade, o que pressupõe imaginação -, tem um visual bem cuidado – é vaidosa -, é inteligente – sem dúvida – e, principalmente, mostra três atributos dos mais atraentes, seja em homens ou mulheres: tem autoconfiança, tem atitude e tem coragem. Se garante. Definitivamente, ela está podendo. Bravo! Lina Vieira é sexy!

(*) esse “quando” foi meu, afinal, não dá para generalizar: nem todas são princesas.

Não gosto, não… Intuição feminina?

Sei não. Mas definitivamente não estou gostando nada disso.

eyes, by michele catania flickr cc

Vejam só:

No blog da Miriam Leitão: “Fecha o tempo entre a Vale o o Governo - (…) O governo pensa em tomar o poder na empresa privatizada através da nomeação do presidente da Previ, Sérgio Rosa. E está claramente ameaçando a Vale. Vejam abaixo o tom de desabafo de Roger Agnelli. O governo achava que a empresa não podia ter demitido na crise, quer determinar os investimentos. Como a Previ é acionista e o governo também, através do BNDES, eles podem se manifestar nas assembleias. O que nao pode é usar seu poder de governo para tentar controlar a empresa (…) “ 

No blog do Adriano Pires: ” Petrosal a Sete Chaves - Nunca antes nesse país se discutiu um assunto de tamanha importância para toda sociedade de forma tão fechada e com tamanha autossuficiência. O assunto que estamos nos referindo é o pré-sal. Desde seu anúncio no final de 2007, o governo vem tratando a questão como se ninguém mais no país, a não ser os atuais ocupantes do poder, conhecesse e pudesse dar alguma sugestão sobre quais seriam as modificações necessárias no atual marco regulatório do setor de petróleo e gás natural, diante da descoberta da camada do pré-sal. (…)” 

No blog do Noblat: “ Lula veta limites de gastos para viagens e publicidade – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a adoção de limites nos gastos da União com publicidade e viagens no próximo ano. O dispositivo constava da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União. Pelo mecanismo, as despesas oficiais com publicidade, viagens, passagens e locomoção não poderiam exceder, em 2010, os valores empenhados (autorizados) em 2009. (…)” 

Não gosto mesmo…não, não, não…

Foto de Michele Catania, via Flickr cc

Sentada a beira do caminho

Preciso acabar logo com isso! Preciso lembrar que eu existo… Que eu existo, que eu existo…

Suspirei e abri o olho pela primeira vez. O alarme tocava. “Ah! Que sono!” – pensei. E fechei o olho novamente….

Os “alertas e operantes” que me perdoem, mas eu sou dorminhoca. Definitivamente boa de cama, deito e durmo. Fácil. Adoro dormir! E só acordo no terceiro alarme. São cerca de dez minutos abrindo e fechando os olhos, lentamente…E que minutos preciosos! Completamente “embriagada” de sono, penso na minha agenda do dia, nas minhas últimas alegrias ou mágoas, nas minhas últimas resoluções… e penso em nada também. Cochilo. Costuma ser o momento em que tenho os meus melhores insights.

E hoje, acordei já com essa música na cabeça. Tão antiga. Há séculos não ouvia… de onde veio isso, meu Deus!? Sei lá! Ou melhor, eu sei muito bem. Mas deixa pra lá! :)

Em tempo, esse post é em homenagem a uma amiga querida. Um dos melhores presentes que ganhei neste ano. Beijo, querida!

Bjs em todos :)

Sentado à Beira do Caminho – de Roberto e Erasmo Carlos 

Eu não posso mais ficar aqui
A esperar!
Que um dia de repente
Você volte para mim…

Vejo caminhões
E carros apressados
A passar por mim
Estou sentado à beira
De um caminho
Que não tem mais fim…

Meu olhar se perde na poeira
Dessa estrada triste
Onde a tristeza
E a saudade de você
Ainda existe…

Esse sol que queima
No meu rosto
Um resto de esperança
De ao menos ver de perto
O seu olhar
Que eu trago na lembrança…

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo…

Vem a chuva, molha o meu rosto
E então eu choro tanto
Minhas lágrimas
E os pingos dessa chuva
Se confundem com o meu pranto…

Olho prá mim mesmo e procuro
E não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança
À beira de uma estrada…

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo…

Carros, caminhões, poeira
Estrada, tudo, tudo, tudo
Se confunde em minha mente
Minha sombra me acompanha
E vê que eu
Estou morrendo lentamente…

Só você não vê que eu
Não posso mais
Ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira
Por você
Sentado à beira do caminho…

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo…

Samba do petróleo doido

05010_PreSalCamadasGeologicas

O marco regulatório do pré-sal está cada vez mais confuso, com declarações que frequentemente negam informações anteriores.(…) virou um samba do petróleo doido. Também foi noticiado recentemente que a ANP vai perfurar poços de petróleo. Mas a ANP é uma agência reguladora. Ela não é uma empresa de pesquisa e prospecção. São diversas propostas sem conexão. Uma coisa não conversa com a anterior. Quem sabe quando, finalmente, for divulgado o marco regulatório do setor, ela não tenha uma coerência. É preciso ter calma nessa discussão. Primeiro vamos entender que regra são essas sendo propostas antes de mudar tudo.” (Miriam Leitão, aqui)

Gosto de mudanças, gosto de novidades – desde que façam sentido e que sejam para melhor, naturalmente. Por outro lado, dizem que não se mexe em time que está ganhando. Ok, não costumo mesmo ser inflexível e nem rigorosa, mas com uma condição: ser responsável – e confiável. É fundamental. E isso implica em prudência e ponderação. Portanto, em primeiro lugar, para quê mudar o modelo de concessão para partilha no pré-sal? Aonde o modelo de partilha é melhor, considerando, p.ex, que nesse hipótese não há licitação e que o óleo* é negociado diretamente caso a caso com o cliente, e de acordo com o mercado na época? E  assim, como é que fica a transparencia? E por que a correria nessa mudança do marco regulatório ? Há competência e seriedade nisso?

Enfim, nesse primeiro momento, em vista da suposta diminuição (imensa!?) do risco de exploração, não bastava, pelos próximos dois anos, p.ex, aumentar o percentual de remuneração nas concessões? Considerando perdas e ganhos, e a importancia deste assunto, mudanças par e passo não são melhores?

Ótimo, didático – e bonito! – site do IBP sobre pré-sal, aqui

E vamos aprofundando esse assunto? Bjks!

* Nesse modelo de partilha, o país fica com parte da produção, ou seja, fica com óleo (ao invés de dinheiro). E tem o trabalho extra de negociar isso.

Sexo: imagens interiores?

evgen-bavcar, o fotografo cego

Sexo-cabeça…

Fantasias… 

Fetiche?

Quem sabe? Com certeza, aqueles que cultivam um rico mundo interior. Mas o fato é que imaginação conta muito no sexo. Aliás, no sex appeal também, que o diga Sophia Loren:

“Sex appeal é 50% o que você tem e 50% o que as pessoas pensam que você tem” (S.L)

Indagado sobre suas imagens interiores e o uso constante de sobreposição (de imagens) em suas fotos, Evgen Bavcar,  o filósofo e fotógrafo cego, em instigante entrevista respondeu: Porque este é o meu olhar. Eu não posso aceitar as imagens formadas pelas câmeras como elas são, mas como eu quero ver. A técnica da sobreposição significa que eu entro na imagem. Como um pintor chinês que pode interferir na paisagem que está reproduzindo, eu também posso fazê-lo nas imagens que produzo.”

**

Amigos, este post é inconclusivo. Cada um continua com seu próprio conteúdo que, sem dúvida, é vastíssimo e surpreendente – é infinita a imaginação humana :) Basta ver também essas duas fotos abaixo: sexies, fantasiosas, até perturbadoras, e de origens, objetivos e estilos completamente diferentes! Vai entender! Ou não.

Apenas desfrutem. :)

milk

vogue itália 2

 1a foto de Evgen Bavcar, o fotógrafo cego. 2a foto de Andrey Razzomovisky e 3a foto da Vogue Itália.

E agora, José?

AUTO_alecrim

Agosto é um dos meus meses favoritos – feliz, festivo e que sempre (me) promete, obviamente pelo meu aniversário. Mas esta semana, sei não… começou pegando fogo.  Nada pessoal, “toc-toc-toc”, mas discussões não faltam: Sarney x Senado x CPI x Pré-Sal x Petrobrás x Dilma x Ética x Dinheiro x Imprensa x Poder… Tenho vontade de entender, mas sinceramente, estou cética, não sei em quem confiar. Basta uma busca rápida desses temas no google, juntos ou separados, para perceber que a verdade, desconfortável, é que nesse imbróglio, salvo raras e honrosas exceções, todos “os atores” têm seus interesses… Principamente pelos grande$ valore$ envolvidos.

Aonde estará a mínima isenção e a busca do que for verdadeiramente melhor para o país? Não sei.

E agora, José? O que uma simples-mortal-cidadã-carioca pode fazer?  Será melhor tirar a TV da sala?

Filosofia à parte, para quem também está nessa ”busca da verdade”, ou ao menos chegar o mais próximo possivel dela, recomendo, entre outros, seguir o Twitter do Noblat, aqui na coluna à direita. Poucas certezas, inúmeros questionamentos… Muito bom.

E vamos que vamos!

**

- Atualização de 04agosto às 09,50h: Escrever post depois de ver na TV nossos politicos se manifestarem de forma hipocrita e aviltante dá nisso: tira o humor de qualquer um! :)

- Luiz Nassif é um jornalista respeitado por seus colegas e, portanto, até então, merece credibilidade. Seu breve comentário sobre a midia ontem, após o episódio no Senado, vale a leitura – interessante observação:

“03/08/2009 – 20:28 – O jornalismo de aposta

Um dos expedientes mais utilizados por certo tipo de jornalismo é transformar suposições, apostas, em fatos consumados. Por exemplo, supõe que Sarney pedirá demissão. Há rumores de que ele teria conversado com Lula nesse sentido. Pega-se o rumor e transforma-se em afirmação taxativa. Puro chute confiando que a lei das probabilidades favoreça. Assim, sem jornalismo nem reportagem, fica-se com o mérito se o chute se confirmar.” (leia mais aqui)

Atualização em 07agosto2009:
Para entender e formar opinião, poucas fontes são melhores do que múltiplas opiniões. Portanto, vale uma lida: (1) Pré-sal – interessante debate promovido ano passado pela Folha, aqui. Com pontos de vista diferentes e consistentes, participaram o engenheiro David Zylbersztajn, primeiro diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o geólogo Ivan Simões, coordenador do Comitê de Exploração e Produção do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e vicepresidente da British Petroleum, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-ministro da Ciência e Tecnologia (governo FHC), e o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe-UFRJ (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ex-presidente da Eletrobrás.
(2) Senado e o Conselho de Ética – matéria do UOL Notícias (via blog do Noblat): “Conselho de Ética se enterrou ao dar fim a ações contra Sarney, dizem especialistas” A decisão do presidente do Conselho de Ética do Senado, Paulo Duque (PMDB-RJ), de arquivar todas as 11 representações contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), decretou o fim do próprio órgão, disseram analistas políticos ouvidos pelo UOL Notícias. “Foi um ato de arquivamento do próprio Conselho de Ética”, afirmou Roberto Romano, professor da Unicamp (Universidade de Campinas). “Vai ser a mesma coisa no plenário, não temos as forças democráticas favoráveis à transparência. Eles já estão transformando o Congresso em um caixão e estão levando para o enterro. Esse arquivamento sumário era a estaca que faltava.” (…)

Charge de Alecrim, via Charge On Line, aqui

Bebum na web

bebida-by-ilmungo-via-flickr-cc

Há tempos não  publico alguma piada que circula via e-mail. Essa nem é inédita, mas recebi novamente ontem. É super criativa - cria imagens impagáveiss.

E porque hoje é sábado… o bom humor está a toda. Divirtam-se!… com moderação :)

Ana SimplesAssim: Simples sim, Banal nunca! :)

MANUAL PRÁTICO DO BÊBADO :)

Como agir quando se bebeu demais e está com os seguintes sintomas:

- SINTOMA: Pés frios e úmidos. CAUSA: Você está segurando o copo pelo lado errado. SOLUÇÃO: Gire o copo até que a parte aberta esteja virada para cima.

- SINTOMA: A parede a sua frente está cheia de luzes. CAUSA: Você caiu de costas no chão. SOLUÇÃO: Coloque seu corpo a 90 graus do solo.

- SINTOMA: O chão está se movendo. CAUSA: Você está sendo carregado ou arrastado. SOLUÇÃO: Pergunte se estão te levando para outro bar. 

- SINTOMA: O motorista do táxi é um elefante rosa. CAUSA: Você bebeu muitíssimo. SOLUÇÃO: Peça ao elefante que o leve para o hospital mais próximo. 

- SINTOMA: Você está olhando um espelho que se move como água. CAUSA: Você está para vomitar em uma privada. SOLUÇÃO: Enfie o dedo na garganta

- SINTOMA: As pessoas falam produzindo um misterioso eco. CAUSA: Você está com a garrafa de cerveja na orelha. SOLUÇÃO: Deixe de ser palhaço.

- SINTOMA: A danceteria se move muito e a música é muito repetitiva. CAUSA: Você está em uma ambulância. SOLUÇÃO: Não se mova. Possível coma alcoólico.

-  SINTOMA: Seu amigo não liga para o que você fala. CAUSA: Você está falando com uma caixa de correios. SOLUÇÃO: Procure seu amigo para que ele te leve para casa.

Mão grande, mãozinha, mão amiga… Mil e uma utilidades? :)

erasmo

 

Charge de Erasmo, via Charge On Line, aqui

Meu Coração Vagabundo…

Acabei de chegar do cinema. Fui assistir a este documentário sobre Caetano Veloso. Músicas lindas, alma de criança… 90 minutos de puro prazer. Delicia.

 

Acima, pré estréia do filme, com depoimento do “diretor de cinema mais jovem do mundo”. Só 23 anos!!!

 

Trailer do filme todo permeado por essa linda música tema: “Coração Vagabundo”

 

Finalmente, como eu sou boazinha, um brinde: “Nosso Estranho Amor”,  já postada em o “Amor …e o Ciumes”, aqui

Deleitem-se! Bjks! :)

P.S.:  * Outro post sobre o filme pela Ana Paula Bousquet, aqui. * E no dia a dia, tento comentar os acontecimentos e as noticias mais amiúde no meu Twitter, destacado aqui no alto à direita. Quem quiser posts rápidos… Tá lá :)

Digerindo um bode…

“Truffaut acreditava que a maturidade de um diretor vem quando ele consegue falar o que quer e ainda assim fazer sentido para uma grande audiência. O que eu estou buscando é fazer cinema de qualidade artística, mas acessível. Não sou contra um cinema mais radical, árido. Até por que um filme acha seu público tenha ele o tamanho que tiver “ – afirmou Heitor Dhalia, em meio à luta dos filmes autorais por espaço nas telas. (via Globo Online, aqui)

Que nós vivemos uma sociedade de consumo, é um fato indiscutível.  Para o bem ou para o mal, fazer o quê, não é? No máximo, reclamar com o bispo. Mas daí a achar bacana certas atitudes – que fique claro: exibicionismos de todo tipo, valorização exagerada do poder aquisitivo, competitividade selvagem e desonesta, produção cultural totalmente orientada pela audiência, sem falar em publicidade ou qualquer outra coisa dissimulada…  AH!!! Dá um bode!

Como postou Luciana Fróes em “Digerindo excessos”, aqui, “To meio cansada dessa história”.

Isso me remete ao meu post sobre Brecht, aqui abaixo. Ele deu o seu recado e ficou para a história – “se notabilizou por um teatro político, com a arma que ele acreditava ser a mais eficaz para levar suas mensagem às pessoas: o bom-humor.” (via Revista Bravo)

Tomara que o cinema de arte reencontre a sua linguagem, o seu publico, o seu espaço. E cumpra o seu papel!  Urgente * :)

Bjks! :)

* Brecht não tem nada a ver com o Casseta & Planeta. Ou tem? :)

Domingo chuvoso…

Para fechar esse domingo chuvoso – que também tem o seu valor, nada contra – seguem duas rapidinhas:

(1) Para quem, como eu, perdeu o debate das meninas (as quatro jornalistas) no Jô Soares - tão comentado – vale a pena dar uma olhada no video do programa postado, em partes, no youtube. Nesse trecho, aqui, elas falam da Petrobrás e do pré-sal, com pontos de vista bem interessantes. A Flávia Oliveira, p.ex, comenta achar injusto o pré-sal ser operado apenas pela Petrobrás, pois a empresa também tem outros acionistas que seriam beneficiados. Por isso, ela acha razoável a criação de uma nova estatal para o pré-sal. Eu já discordo, e acho que o trabalho deve ser feito pela Petrobrás, apenas com alguns ajustes na remuneração para corrigir esse privilégio a outros acionistas que não o governo. Com relação aos royalties, a Cristiana Lobo discorda da distribuição dos percentuais praticados hoje, e citou como exemplo o municipio de Resende que há anos não apresenta a mínima melhoria na qualidade de vida dos seus habitantes o que indica que o dinheiro deve estar sendo mal empregado. Acho pertinente essa preocupação, mas por outro lado, penso que essa anomalia deve ser corrigida de outra forma. Sou contra intervencionismos. O ideal seria algum tipo de controle que partisse dos próprios habitantes, embora saiba – conforme meu post abaixo destacando texto do Nelson Motta em “Simpáticos, Cordiais e Canalhas”, aqui -, que familiares, amigos e aliados do tipo “canalha-gente-boa” apreciam e não reclamam de certos privilégios, ainda que indevidos. Enfim… A conferir!

**

(2) Piadinha de domingo:  “Um homem passa pela porta do plenário do Senado e escuta uma gritaria que sai de lá dentro:  

“Ladrão!, Salafrário!, Assassino!, Traficante!, Mentiroso!, Pedófilo!, Vagabundo!, Sem Vergonha!, Preguiçoso!, Vendido!, Enganador!, Estelionatário!, Assaltante!…”

Assustado o homem pergunta ao segurança parado na porta: “O que está acontecendo ai dentro? Estão brigando?”

“Não” responde o segurança, “estão fazendo a chamada…”

**

Leia mais: Fortes emoções na disputa pelo pré-sal, por Lucia Hippolito

Bjks e boa semana a todos! :)

Simpáticos, cordiais e canalhas

denise fraga

Bem observou Nelson Motta, ontem, dia 24/07, no O Globo: “Cuidado com os simpáticos e cordiais, sempre advirto minhas filhas, e mais ainda com os bajuladores e paparicadores: são condições básicas necessárias para o exercício da canalhice. Claro, se além de canalha o cara é antipático, grosso, mal-educado, fica bem mais difícil encontrar vítimas para suas canalhices.

Poderá ser apenas um bandido óbvio. Canalhas não, eles podem ser vistos até como pessoas “respeitáveis”, podem ser muito queridos pela família, pelos amigos e aliados, que se beneficiam das suas canalhices, sem passar vergonha na rua, na escola e no trabalho.

É o canalha gente boa. (…)”

Neste nosso pais “macunaímico”, este “herói” ainda se faz admirado!  Leia mais aqui O Globo em 24/07/2009.

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Como ser bom e ao mesmo tempo sobreviver no mundo competitivo em que vivemos? Esta é a questão levantada pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht na peça A Alma Boa de Setsuan. Brecht escreveu esta parábola em 1941, época em que vivia no exílio da Alemanha nazista. Afirmava que a bondade era o estado natural do homem, e que a crueldade exigia um grande esforço. Entretanto, o preço para se praticar o bem em um mundo como o nosso seria alto demais. Passados 67 anos, o texto continua mais que atual, mostrando a realidade muito mais cruel para os bons, num mundo onde a generosidade ficou perigosa(…)” (ingresso.com, aqui).

Adoro Bertolt Brecht.  A peça é excelente, fui ver semana passada e recomendo. Segundo a revista Bravo, para o dramaturgo “Estas peças dizem a verdade. Por mais cuidado que vocês tenham em ocultá-la, ela será reconhecida imediatamente!”(…) ” Leia a resenha da revista Bravo, aqui

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Nestes dias atuais – alíás, desde sempre, não é? -, não há espaços para ingenuidade. 

Sem mais palavras…

Textos relacionados: “Os desafios da imprensa – Pitacos -2″ (aqui) e Pausa para um refrigério (aqui)

Foto: Denise Fraga em A Alma Boa de Setsuan, via Revista Bravo

Cupixas

 

ipanema2 por Ana paula Bousquet

 

Não canso de me encantar e me deixar entreter por algumas das minhas amigas mais queridas – com as quais tenho milhões de  afinidades e semelhanças, algumas surpreendentes, as vezes desconcertantes, outras reconfortantes, sem falar em engraçadas, é claro.  Hoje, especialmente, falo da Ana Paula e da Denise. A cumplicidade é imensa, o que não quer dizer que sempre concordem comigo. Não mesmo. Algumas vezes, e separadamente, dão razão aos meus “oponentes”! Vejam só…

 Ah, não! - diz a  Denise, mais prática - Dá uma chance pra ele! :)

Ah! tadinho! - diz a Ana Paula, mais romantica - Vamos consertar isso, liga pra ele!

Consertar o que? Dar chance? Eu, hein… - encerro o assunto :)

Enfim, além de amigas queridas, elas escrevem muito bem. Hoje, por exemplo, estão com posts reveladores e deliciosos. E especialmente, por ironia, a Ana Paula está mais prática e a Denise mais romantica. :)

Ana Paula em “Tarde de sábado“, aqui

Denise em “na dúvida, a dúvida”, aqui

Gostando ou não, a vida tem me ensinado que as mulheres são muito competitivas e, portanto, é imperativo ser rigorisíssima na escolha das amigas. As minhas (amigas) de verdade são poucas, mas selecionadíssimas – carater é fundamental.

Pode-se dizer que Ana Paula e Denise tem minha procuração: são minhas cupixas :)

Deleitem-se. Bjs!

Foto de Ana Paula Bousquet, feira em Ipanema

Pit Stop – Curiosidades sexuais :)

Sexo, sexo, sexo… A sede de conhecimento parece ser inseparável da curiosidade sexual.” (Sigmund Freud)

insomniagallery_com_01.jpg salto alto

Como a premissa desse blog é a sede do conhecimento, curiosidades… e hoje é domingo… hummm…

Vamos a Sexpedia! :)

O que faz uma pessoa ser sexy? É o que a blogueira-jornalista Fernanda Colaviti pergunta. E responde, aqui:

 (…) ele é sexy sim, muito. Por que? Bom, além da bela figura, ele tem um olhar e um sorriso safados, que me atraem bastante. Essas são as principais características que me fazem achar um homem sexy, sendo ele bonito ou não. (a inteligência e o bom humor também são afrodisíacos para mim. Tá… homem com cara de cafajeste também. Não sei definir exatamente que cara é essa, mas reconheço de longe.) Também reconheço quando uma mulher é sexy. A personificação da mulher com sexy appeal, na minha opinião, é a Scarlett Johansson. Além de linda, tem aquele jeito que ela olha e também aquela coisa que ela faz com a boca, de apertá-la, sabe? Ela tem cara de quem está excitada o tempo todo, sem ser vulgar (…)

Fernanda tem toda razão. Euzinha aqui, do alto da minha expertise-feeling (!?) também destacaria que (para homens e mulheres), (1) presunção a parte, autoconfiança é muito importante e, portanto, sexy é ter um ar de quem gosta de sexo, parece ser habilidoso (tem que ser genuino e consistente, nada de performance) e inventivo (o que também costuma denotar inteligencia); e (2) alguma vaidade e cuidado com a aparência, sem exagero – mostra empenho em atrair, em ser atraente e, só por isso, já atrai.

No mais… sei lá,  mil coisas :) Mas é só olhar este post da Sexpedia com alguns comentários curiosíssimos.

E alguem tem mais alguma idéia? Bom domingo a todos! :)

P.S.: Depois de comentar pessoalmente este post com amigos e ler os comentários abaixo, achei que valia destacar, entre outros: (1) não acho homem cafajeste sexy, pelo contrário, para mim, ser confiável é importantíssimo – deixa qualquer pessoa mais a vontade; (2) nos homens, masculinidade é apreciada, como, p.ex, atenção sempre às boas maneiras, atitude e um certo cavalherismo, sem exageros; (3) nas mulheres, feminilidade é sedutora, como, p.ex, certa delicadeza, um batonzinho, um brinquinho, um lápis no olho etc, detalhes que denotam cuidado… Em ambos os sexos, “boa vontade, bom humor e charme” são tudo. Sem falar em “provocação suave e inteligente”, naturalmente. E mais não falo :)

**

Nota:  No seguimento da série “Desafios da imprensa – Pitacos (3)” vou comentar minhas leituras e impressões sobre publicidade (na imprensa), inclusive a estratégia da publicidade oficial. Até! :)

Os Desafios da Imprensa – Pitacos (2)

 “(…) Em carta a empregados da Petrobras, Gabrielli (…) delineia sua linha de defesa: “Como todos sabemos este é um momento delicado para a Companhia. Talvez, a sua maior crise. Mas a Petrobras é maior que a crise

Lindo, não? Esta informação é do jornal Valor (aqui) em matéria sobre a CPI da Petrobrás. Mas o que a gente não sabe é que esta informação chegou ao jornal através da assessoria de imprensa (da Petrobrás), conforme post do Noblat, aqui.

Não sei vocês, mas para mim muda de figura saber que o teor desta carta (aos funcionários ) foi comunicada a imprensa através da assessoria de imprensa. É claro que é bobagem, ainda que sirva de exemplo, mas afinal, dentro de um universo de acontecimentos diários naquela empresa gigantesca, por que raios ela (a assessoria) acredita que esta informação, o teor tocante desta carta, é relevante? É para angariar simpatia? Nos levar às lágrimas? Por que será, hein?”

Conforme ja comentei em posts anteriores, a polemica do blog da Petrobrás me despertou a curiosidade com respeito a essas relações “mídia x poder”, e a partir de então passei a observar com mais atenção essas partes. Suponho que a tal assessoria de imprensa que passou essa informação seja a CDN que, conforme matéria do O Globo, teria sido contratada a R$ 180.000,00/mes, sem licitação, para atuar emergencialmente em “gestão de crise”, filtrando as informações e comunicando fatos “relevantes” relativos a CPI.

E falando em comunicação, deu no O Globo, aqui: ” Na Comunicação, com críticas à imprensa: Em análise para colegas ministros, Franklin Martins diz que oposição se alimenta da mídia e vice-versa (…) Segundo relatos de ministros que participaram da reunião, Franklin adotou um tom de análise conjuntural em toda a sua apresentação para os demais ministros. Disse que a imprensa dá divulgação muito grande à crise política parlamentar, especialmente ao noticiário sobre o Senado.”

Amigos, esses são apenas highlights – teasers, chamadas :) – deste assunto – manipulação de informação, poder, midia – que  retomarei nesses dias, assim que possivel, embalada pela CPI da Petrobras. Será um teatro? Um circo? Vamos conferir :)

Ontem, trocando idéias com um amigo-fonte ele brincou comigo dizendo que agora eu estava entendendo tudo deste assunto. “Ô! Daqui a pouco posso dar palestra!”, respondi rindo :) “Olha que deve ser um bom negócio mas, pelo visto, e petróleo à parte, assessoria de imprensa é melhor negócio ainda. Trabalho fácil, convenhamos, e com risco zero para tanta rentabilidade. A não ser que tenha algum pulo do gato que eu ainda não tenha entendido direito.” 

Enfim, me aguardem. Suavemente :)

Nota: Quem quiser ir se adiantando neste assunto, pode ler o completíssimo relatório com o ranking das assessorias de imprensa em 2008, aqui (a primeira colocada apresenta faturamento de R$ 52.000.000,00, sim, cinquenta e dois milhões), onde, através de reveladores depoimentos dos lideres do setor, são comentados os planos das empresas para 2009, entre outros, as disputadas licitações da Secretaria de Comunicação em Brasilia. Paralelamente, para uma INDISPENSÁVEL visão mais ampla – bem menos “marketeira” e mais pragmática  – desta atividade, ler também o ótimo post do Cláudio Abramo da ONG Transparencia Brasil, “O blog da Petrobras e a praga das assessorias de imprensa”, aqui.

O rei… e o refrigério 2 :)

“Dizem que ele é um rei… mas para mim ele é um rei mesmo” – minha secretária concluiu aliviada.

Aconteceu há mais ou menos 10 anos. Mais velha do que eu, queridíssima, e tendo trabalhado na empresa durante toda a vida, ela era o que se pode chamar de secretária-master. Era experiente e de super confiança, qualificação importantíssima principalmente quando voce trabalha com gestão de patrimônio. E, portanto, ainda que atordoada pela rotina no escritório que tinha ficado confusa, e sentindo muita falta dela, eu a dispensei naqueles dias.

” Não se preocupe com nada por aqui, qualquer coisa nós te ligamos. Aproveita e cuida do seu irmão. Que bom que o Roberto Carlos está dando este apoio a vocês” – respondi me despedindo.

Ela estava fora do escritório há uma semana desde que o seu irmão tinha sofrido um acidente de carro no subúrbio e estava em coma internado em algum hospital público, entre a vida e a morte. Telefonava todo dia para orientar a outra secretária e nos dar noticias. E tinha acabado de me contar que o Roberto Carlos tinha entrado no circuito e estava bancando todas as despesas, desde a transferência para um hospital particular, CTI, equipe médica etc – ele estava assumindo uma verdadeira fortuna. Seu irmão tinha trabalhado a vida toda na equipe dele e estava afastado há mais de dois anos – trabalhava para outro artista, mas estava sem plano de saude, recém-separado da mulher e totalmente descapitalizado.

Pouco mais de um mes depois, ela voltou à rotina do escritório. Ele, infelizmente, acabou falecendo após coisa de um ano. Mas durante este período quem assumiu e bancou todas as despesas, inclusive mesada para a familia, foi Roberto Carlos – que nem era mais o empregador (dele) – prestem atenção – era apenas um amigo, de uma solidariedade impressionante.

Pois é, lembrei disso ontem ao ver o show no Maracanã, comemorando os cinquenta anos de música do Roberto Carlos. Depois desses dias percebendo cinismo pra todo lado, a ponto de ficar enojada, é um reconfortante ver uma pessoa tão integra e solidária – sem fazer marketing disso – compartilhar conosco sentimentos tão lindos, através da sua música. Como é bom ver alguem ser reconhecido pelo talento e por ter feito um trabalho que de fato agrega valor a vida dos outros e que, portanto, contribui para a sociedade.

É mesmo um rei! :)

Linda espera do show, com a platéia cantando suas músicas enquanto aguarda o inicio, com a música “Emoções eu vivi” :)

Outra música linda: “Amor Perfeito” … sinto falta de você!… :)

É meloso, é ridículo? Que importa? Como já disse Fernando Pessoa ” Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas (…)”  

Vale uma olhada no belíssimo blog da minha amiga Ana Paula ”O olhar é uma isca” – com fotos e textos de tirar o folego, linkado abaixo. Enquanto eu aqui enfatizo o amor, ela já vai logo falando da música “Seu corpo”, aqui.  Como sempre, danadinha :)

**

Aviso: Está sendo programada no blog do Noblat uma passeata virtual (manisfestação em orkut, blog e msn etc), parece que na quarta-feira, com a frase: “forasarney”. Fique atento para participar.

Pausa para um refrigério

Iate e Angra - 21 e 22abril2007 022

Amigos, estes últimos dias em que estive mais atenta, googlando, lendo e trocando idéias para desdobrar meus posts sobre os “Desafios da Imprensa”, foram desalentadores. Claro que ouvi muita coisa que já sabia, que tinha ouvido falar não sabia aonde e nem tinha prestado muita atenção, mas quando resolvi observar melhor… Não bastasse nessas últimas semanas, esses recentes embates – pertinentes – entre midia e poder – a guilhotina midiática, como falou Paulo Guedes -, e ainda que não seja novidade para muitos, perceber mais claramente o jogo de interesses, a teia (manipuladora) formada por “grandes empresas, lobby, assessorias de imprensa, estatais, politicos, governo, imprensa e poder” é muito desconfortável. E eu não sou chegada a teorias conspiratórias – seria até um atenuante. Mas cairam várias fichas ao mesmo tempo, de forma pesada – basta ver minha indignação recente no twitter a direita.  

Enfim, com essse espirito, e mão também pesada, fiz um post que estou preferindo rever para não generalizar, ser precipitada e, pior ainda, ser injusta, ainda que esteja cética – ainda não surgiu qualquer fato novo que tenha mudado minha percepção. Não sei no resto do mundo, mas aqui a coisa está nauseante.

Prefiro ainda refletir melhor. Como sempre, eu e essa minha doce inocência… e cuidado em não pegar pesado :)

Bom, mas a vida continua, bola pra frente, hoje é sexta-feira, vamos ao refrigério! :)

O video abaixo da Diana Krall é absolutamente maravilhoso. Ela canta bossa nova tendo como cenário lindas imagens do Rio de Janeiro. Confesso que fiquei “capturada” por dez minutos!  Não deixem de ver.  Delicia  :)

Bj querido em todos! :)

Foto pessoal: “A caminho… no lusco-fusco”

Os Desafios da Imprensa – Pitaco (1)

barquinho

- “(…) O vizinho da casa 12 comprou um barco novo… O Tiago está ficando bom da cirurgia, está engessado, mas já foi a praia… Sexta-feira deram uma festa imensa na casa 14, foi um tumulto danado… Nasceram os filhotinhos da cachorra da Lili… Ah! E o casal da casa 10 brigou novamente – foi um escândalo. Ela foi embora de carro no meio da noite….Disseram que dessa vez eles separam… “

- “Nossa Senhora! – minha filha comentou – Você está parecendo a Revista Caras de Angra! Só contou fofoca!”

- “Ué! Estou contando coisas que podem te interessar! Você quer saber das minhas pescarias? Do meu jogo de volei? Dos meus passeios de bicicleta? Falei dos vizinhos que você conhece, ora!”

Estávamos almoçando e meu filho (18 anos) contava para mim e para minha filha (22 anos) as novidades da semana que ele passou em Angra dos Reis com o pai.

- “Seu irmão tem razão, meu amor… Ele está editando o que aconteceu nesta semana em Angra e te contando o que pode (te) interessar…” – Interferi rindo e encerrando a discussão. – Já pensou que chatice se ele começar a contar daquelas pescarias sem fim?” – concluí.

Então, neste episódio interessante, a ficha caiu : nós editamos nossas conversas em função do interesse do outro! E do nosso também, é claro. Podemos ter vários relatos – verdadeiros – de uma mesma viagem. Afinal, é impossível reportar 24 horas de um dia. É impossível reportar tudo que acontece. E assim, mesmo sem perceber, inocentemente ou não, selecionamos os fatos mais relevantes para nosso interlocutor, seja ele quem for – fatos que ele quer saber, fatos que ele precisa saber -, e relatamos. Isso é até intuitivo, e fundamental.

Mas esse preâmbulo todo é para iniciar meu assunto: “Os Desafios da imprensa”. Questão complexa, desafio para mim também, até porque eu sou leiga no assunto – para o bem ou para o mal, afinal, se por um lado minha credibilidade neste tema é discutível – não vivo neste cotidiano – minha isenção é considerável, pois, a principio, o assunto me é indiferente, que interesse tenho nisso? Em tese, nenhum, fora curiosidade. Mas tenho minha opinião, é claro. E portanto, também não tenho isenção absoluta.

Depois de dias de leituras aleatórias e “googladas” direcionadas, entendi que isenção e, consequentemente, credibilidade é o maior valor da imprensa. Seja no hora de editar o que importa, no momento do relato com mais ênfase ou não, na conferencia da informação, na busca de outros pontos de vista, na organização e sequência da narrativa e da explicitação do que é fato e do que é opinião, credibilidade é fundamental. Indiscutivelmente, confiança é tudo, seja em empresas, governo, ou pessoas, é claro. E sempre.

Conforme o jornalista Eugenio Bucci cita em seu excelente artigo, aqui, “(…) O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pautará pela abertura às mais variadas opiniões sobre os fatos, pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação. (…)”. 

 Conforme o jornalista americano Gay Talese conta em sua entrevista a Revista Veja aqui, “(…) A imprensa americana caiu na lorota de que havia armas de destruição em massa no Iraque por algumas razões. Primeira: os atentados de 11 de setembro criaram um clima de espanto. Uma coisa é falar de guerra lá longe, na Normandia, no norte da África, falar do general Erwin Rommel, de Mussolini, Hitler. Outra é sofrer hostilidades de forças estrangeiras dentro de Nova York. Era inacreditável, e George W. Bush capitalizou isso. Ganhou enorme poder. Era o nosso defensor contra futuros ataques e o árbitro sobre o que era bom para nós. Fomos induzidos a acreditar que o governo tinha informações que nem o público nem o Congresso conheciam. A imprensa, muito crédula e um pouco ingênua, entrou no clima. Segunda razão: havia um fervor patriótico. A imprensa se sustenta com publicidade, e o pessoal tinha receio de ser percebido como antipatriótico – o que naqueles dias era o mesmo que ser anti-Bush – e acabar financeiramente punido, com os anunciantes debandando. O comediante Bill Maher fez uma brincadeira em seu programa na rede ABC, dizendo que os terroristas podiam ser chamados de tudo, menos de covardes, e foi retirado do ar. Essa atmosfera durou uns dois anos. Terceira: os jornais, Washington Post, The New York Times,efetivamente acreditavam no governo, e, por último, os repórteres que cobriam Washington eram muito diferentes dos repórteres do meu tempo, que cobriram a Guerra do Vietnã nos anos 60. Não eram céticos.(…)” 

Imprensa é imprensa, e tanto lá como cá, em maior ou menor grau, ambas dependem da publicidade, sofrem influência e manipulação do governo e das assessorias de imprensa (*), pesam interesses próprios indiscutíveis e ainda enfrentam o desafio da web, e consequente perda do monopólio da informação em escala e da difícil apuração e divulgação dos fatos em tempo real.

Sem dúvida, para a boa imprensa, para o jornalismo de primeira, desafios não faltam.

Enfim, alguns aqui já conhecem o meu estilo, não é? Pois é, esses desafios – espinhosos – serão desdobrados nos próximos posts.  Suavemente.

Até!

(*) Vide P.S. 2 no meu post anterior “Jornalismo pontual… e de primeira”, aqui

Foto de Zarco Drincic, via Flickr cc

Jornalismo pontual… e de primeira.

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 A moda dos colunistas de notinhas, seguem três sugestões rápidas e pontuais:

 
- Para pensar melhor sobre a imprensa de hoje e do futuro, imperdível a  entrevista do jornalista americano Gay Talese para a revista Veja, aquiTrata do jornalismo de primeira. Ainda vou comentá-la em detalhes, concordando ou discordando de alguns pontos, na minha perspectiva considerando o Brasil.
 
 - Para acompanhar em tempo real os acontecimentos no Irã, não deixem de visitar o post ” Hoje no Irã “, aqui,  do  sempre ótimo blog do jornalista Pedro Dória (com link e RSS recomedados abaixo à direita). Jornalismo de primeira
 
   - Para ter uma visão de mundo, ler o livro “Grandes Entrevistas do Milênio”, aqui.” (…) A popularidade da série está diretamente relacionada à habilidade de vincular os acontecimentos em tempo real a nomes capazes de interpreta-los. E porque interpretar acontecimentos denota também uma visão de mundo, é relevante a diversidade de visões de mundo que o Milênio (na TV) vem oferecendo há mais de uma década. (…) “.  Jornalismo de primeira. Comprei para o meu filho de 18 anos que estuda “Relações Internacionais” e ele reconheceu vários entrevistados, pelos textos lidos na faculdade. Começamos a ler o livro juntos. Delícia :)
 
Finalmente, antes que alguem se pergunte, é claro que essas sugestões se relacionam. Portanto, em breve volto desdobrando a “imprensa e seus desafios atuais”. Digo em breve porque também estou (via twitter) na onda do “tempo real“,  ainda que meu tempo esteja mais para o irreal :) E como sempre tento ser ao menos uma blogueira de primeira, ler, refletir e conversar sobre esses assuntos demanda tempo.  Será um paradoxo? :)
  
Ah! Nesta minha fase de leituras e elucubrações considerando os desafios da imprensa, e dentro da minha doce ingenuidade, tenho me perguntado: assessoria de imprensa é jornalismo?     
 
P.S. 1)Vou fazer alguns posts a partir da análise de vários textos relacionados. Textos novos, ver destaque no twitter, à direita.  Em tempo real :)
        2) Assessoria de imprensa não é jornalismo. Este implica em informação que por sua vez pressupõe verdade. Assessoria de imprensa não informa. Comunica. “(…) O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pautará pela abertura às mais variadas opiniões sobre os fatos, pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação”. Em se tratando de uma equipe de repórteres e editores de uma revista ou de uma emissora de rádio ou de qualquer instituição jornalística, cumprir à risca esse artigo é um dever óbvio, não há o que se discutir. Mas, aí vem a pergunta: isso vale para um assessor de imprensa? Será que um assessor de imprensa da Coca-Cola deve ouvir a Pepsi-Cola antes de divulgar um release? E um assessor da Igreja Universal do Reino de Deus, terá de ouvir sempre a Assembléia de Deus quando preparar notas sobre o fenômeno evangélico no Brasil?(…) Nós, jornalistas filiados à Fenaj, somos, involuntariamente, autores de uma grande impostura que está sendo transmitida à sociedade brasileira: a de que jornalista e assessor de imprensa são a mesma profissão. Isso desinforma e deseduca a sociedade – que passa a ter dificuldade para distinguir uma coisa da outra. (…) “ Leia mais neste  artigo do jornalista  Eugenio Bucci, no Observatório da Imprensa, aqui.
 

O amor é importante, pô!

Instigante texto que me foi mostrado por um amigo.  Uma explosão de interpretações.  No bom sentido, é claro :)

Odara via flickr cc by andre cherri

 ” Palavras no muro” , por Roberto de Toledo Pompeu.

“O amor é importante, pombas. No original, não é “pombas”. É um palavrão, que também começa com “po”. A frase, desenhada com as letras angulosas e sem curvas dos grafiteiros, nas últimas semanas tomou conta de muros, paredes e beiradas de viadutos de São Paulo. Enfim, um grafiteiro inteligente. Ou poético, ou pungente, dependendo do estado de espírito de quem o lê. “O amor é importante, po”, de autoria desconhecida, eleva o grafite paulistano da habitual indigência ao nível dos clássicos do ramo produzidos no maio de 1968 francês – “A imaginação no poder”, “Seja realista: exija o impossível”, “É proibido proibir”.

O segredo da frase é a palavrinha que começa com “po” aposta à oração principal. É o que faz que um pensamento banal adquira vísceras e atinja o leitor. “O amor é importante”, sozinho, seria uma bobagem. Ocorre que o grafiteiro queria dizer exatamente isso, que o amor é importante. Encontrou um jeito de driblar o lugar-comum ao socorrer-se do palavrão. O palavrão contrapõe-se à pieguice do desabafo sentimental e o redime. A violência do expletivo chulo compensa a moleza do pensamento central. Produz-se o inesperado. E o rabisco na rua alcança o patamar da beleza literária.

Esse mesmo fenômeno de uma expressão secundária, na frase, sobrepor-se ao principal e salvá-la encontra-se em… (em quê? em quem? …prepare-se o leitor para saltar dos clandestinos assaltos aos muros de São Paulo para os textos antológicos da literatura universal) …em Jorge Luis Borges. Não que se queira comparar o desconhecido grafiteiro com o criador do Aleph (ou melhor: é o que se quer, sim; prepare-se o leitor para o sublime encontro entre um autor anônimo, possivelmente sujo, talvez faminto, quase certamente desocupado, cuja diversão é vagar pelas ruas da cidade nas horas vazias da noite, e um dos luminares da literatura do século XX). (…) ” via Revista Veja, aqui

Avisos: * Maravilhoso blog da Denise Sollami, “quieta no meu canto ”, aqui. Textos inéditos e pertinentes, como sempre. Sem falar no estilo, imbatível :) * * Estou preparando para hoje ou amanhã um post desdobrando a relação entre os blogs, a imprensa e as assessorias de imprensa. Aguardem! Bjs :)

Foto: Odara, de André Cherri, via Flickr cc

 

Pausa para o amor… segunda chance:)

Outro trecho deste filme – na verdade continuação do primeiro (vide post anterior), desta vez chamado “Antes do Por-do-Sol” -, onde, nove anos depois, eles conversam mais maduros e realistas sobre seus sonhos e o amor. Cena tocante.

E aqui, um trailer do filme mostrando partes do primeiro – a “oportunidade”, primeira chance – , e perguntando se vale a pena uma segunda chance. O que voces acham?

Sabe-se lá o porquê, desde ontem ao fazer o post com cenas deste filme… isso me mobilizou. Estou mais romântica  :)

Leiam também ótimo post sobre o filme “Antes do Por-do-Sol”, por Marcelo Costa, aqui

Pausa para o amor

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Ah! O amor! O amor é lindo, o amor é cego… o amor é tudo!

Mas dá medo. Muito medo. Medo de se jogar muito intensamente, de se perder … e medo de perder! Mas que paradoxo:  como perder o que não se tem? Será melhor não ter?

Há que ter coragem. Coragem para amar. Amar de verdade, talvez silenciosamente – afinal, um amor de poucas palavras tem o seu valor, e muito!

“(…) a ausência da fala amorosa acaba sendo um presente que os amantes se fazem reciprocamente, uma forma extrema (e freqüentemente perdida) de respeito pela complexidade de nossos sentimentos e dos sentimentos do outro que amamos.(…)”, por Contardo Calligaris em “Amores Silenciosos”, aqui

É este o verdadeiro amor?  E então?

Se ele bater a sua porta e te convidar para acompanha-lo, como aconteceu no lindo filme “Antes do Amanhecer” (vide o cena do convite abaixo), o que você faz? Você se acovarda, foge e vai se lembrar desse convite pelo resto da vida? Ou você corajosamente acompanha e paga para ver?

Boa pergunta! E boa escolha para você! :)

Mais fotos lindíssimas de amor, neste slide show, aqui

Bom amor para todos! :)

Polêmicas políticas e petrolíferas da semana…

Newspaper in Beijing flickr Sean Hawkey

… para “variar”! :)

A primeira polêmica já é recorrente, mas que não custa a gente bater nesta tecla mil vezes: o absurdo que é essa idéia de alterações – desnecessárias e claramente politicas – no marco regulador do petróleo. Pra quê? Quem se favorece com isso? O Adriano Pires está com um post ótimo tratando deste assunto, mostrando da forma mais transparente e didática possivel o quanto essa idéia é equivocada, leiam aqui: “(…) o governo vai alterar o marco regulatório do setor de petróleo, criando uma nova estatal e os contratos de partilha da produção. É uma pena que a descoberta da camada pré-sal, ao invés de trazer avanços para o setor de petróleo no país, comece a se transformar em maldição. Nunca é demais lembrar que, com a exceção da Noruega, e pretendem nos enganar que seremos a Noruega, todos os países grandes produtores de petróleo possuem economias e regimes políticos pouco desenvolvidos e atrasados (…) Todos nós sabemos que o Brasil já possui uma empresa estatal de petróleo e que, portanto, não faz sentido criar uma nova empresa estatal. Se todos nós sabemos de tudo isso, porque o governo insiste em mudar o marco regulatório do setor de petróleo? A resposta é a motivação única e exclusiva de origem política. Vocês conhecem algum político que não defenderia a criação de uma nova estatal? (…) Enfim, caso as mudanças anunciadas no O Globo deste domingo se concretizem, a sociedade brasileira pagará uma alta conta. (…)” Vamos reagir.

Mais sobre este assunto, no também ótimo e abrangente post:

  “O Pós Pré-sal” – por David Zylbersztajn, aqui

A segunda polêmica é inovadora e, confesso, que ainda que eu tenha ficado com antipatia da mídia pela forma fria, injustificada, arrogante e prepotente como O Globo desativou a sua própria rede social – Globoonliners, consolidada e atuante há dois anos -, me preocupa este precedente que “esvazia” totalmente a imprensa. Esvazia porque implica em mudança de regras jornalisticas, principalmente no que se refere ao furo, motivação maior de qualquer jornalista. Conforme excelente post do Pedro Dória ” (…)A Petrobras decidiu comprar uma guerra contra os jornais, quebrando seus furos. Tem o direito, evidentemente. (…) Se o único objetivo da Petrobras fosse realmente transparência, era muito simples resolver: publica perguntas e respostas logo após os jornais levarem ao ar suas informações exclusivas.(…)” Explico: A Petrobrás decidiu criar um blog com o objetivo de ter um canal de comunicação direto e interativo com o publico em geral. Até aí tudo bem, acho justo, e genial! Por que não? Várias empresas tem blogs! O problema é que, obviamente, para a elaboração de uma matéria um jornalista precisa de algum tempo. No entanto, agora a Petrobrás ao ser entrevistada está se antecipando e respondendo a essas perguntas no seu blog, tornando publica a resposta, antes da tal matéria ser publicada. Com isso, cadê o furo jornalístico? Acaba. E a matéria fica esvaziada. E como o jornalismo já está passando por uma grande crise, essa mudança de regras preocupa, afinal, querendo ou não, a imprensa é importante e deve ser preservada, pois uma das suas funções é zelar pela democracia.

Vamos torcer para que eles se entendam. A conferir os desdobramentos.

Bjks!

Foto: Jornal na China, via Flickr cc

Que tal um striptease?

You can leave your hat on…:)

Sei lá onde eu achei isso. Nem o por quê. Só sei que eu ri muito ontem a noite. E como hoje é sexta-feira… Vá lá! Momento relax :) 

O filme “Tudo ou nada” já é ótimo e essa cena final do striptease deles então é imbatível. Sexy e divertida – de morrer de rir -, mostra que ninguém precisar ser expert nisso para fazer acontecer.

 

E, coincidentemente, na famosa cena do striptease de Kim Bassinger em “Nove Semanas e ½ de Amor”, a música escolhida para performance é exatamente a mesma! Também sexy e divertida, a cena é linda.

   

Finalmente, vale destacar que em ambos os casos, a platéia também trabalha – e muito! – estimulando o tempo todo. Portanto, se alguem se aventurar a brincar de striptease, já sabe: o principal é platéia e striper certos. A música, claro, já está escolhida: You can leave your hat on!

 Bom final de semana. Juizo!

 Bjs! :)

P.S.: A Denise comentou sobre a Diablo Cody, famosa publicitária e ex-striper que ganhou o Oscar de melhor roteiro ano passado pelo filme Juno. No “blog do Curioso” de Marcelo Duarte, achei um post onde ela sugere músicas para striptease, aqui. De fato, aquelas que eu conheço – Purple Rain, p.ex – tem uma melodia cheia de molejo :) Para os curiosos – ou interessados – e como o Ana SimplesAssim faz o serviço completo - barba, cabelo e bigode :) – segue trecho do post abaixo:

“(…) Diablo Cody, cujo nome verdadeiro é Brook Busey, tem até uma lista de suas músicas favoritas para tirar a roupa: “Remix to Ignition” (R.Kelly), “Purple Rain” (Prince), “Honk Tonk Woman” (Rolling Stones), “Pour Some Sugar on Me” (Def  Leppard) e “Amber” (311).”

Computadores e homens

Hal Odisséia no espaço

Quem já me conhece ha tempos está careca de saber que eu adoro um computador. Na verdade, como sou engenheira, desde garota aos 18 anos, na faculdade, lido com calculadoras e computadores. Fazem parte da minha vida. Lembro da felicidade que senti quando ganhei minha primeira HP científica. Era um sonho de consumo compartilhado com meus colegas que tinham outras calculadoras programáveis espetaculares. E a partir desta HP segui para a financeira, computador, planilhas, softwares, office, photoshop, internet, mule, youtube, blogs etc etc. Acho a tecnologia uma ferramenta insuperável e um entretenimento fascinante.

Mas tenho uma pergunta que não quer calar. Por que cargas d’agua alguns fabricantes de aviões acreditam que a decisão de um computador é mais acertada do que a decisão de um ser humano? Por que os computadores de bordo tem supremacia sobre o piloto e o co-piloto? Por que bloqueiam alguns instrumentos impedindo que, num momento de vida ou morte, o piloto assuma o controle da aeronave? Um computador pensa melhor do que um ser humano? Estamos lidando com o Hal, de Odisséia no Espaço?

Ser ou estar carioca…

… nosso amor e nossa danação :)

Domingo 2007 - Dis irmãos anoitecendo pp

Depois do meu “assalto de sorte”, só mesmo seguindo a dica do Rio Show no Projeto Carioquinha, aqui.  Super legal! Tem programas turisticos sensacionais que muita gente não conhece, olha aqui. Ainda é um privilégio morar nesta cidade -  maravilhosa –  e fazer turismo local, né não? :)

“ A partir desta segunda-feira (01.06) até 5 de julho, o carioca e os moradores da Cidade Maravilhosa têm um bom incentivo para fazer turismo na cidade. É a 11ª edição do “Carioquinha”, ação promocional que reúne 120 atrações, entre pontos e serviços turísticos, hotéis e restaurantes, com preços reduzidos – em até 100% como no caso do Museu de Arte Moderna – para quem comprovar residência ou nascimento no Rio e Grande Rio.

Este ano há algumas novidades, como o passeio ecológico “O outro lado do Rio”, oferecido pela Cooperativa Vale Encantado. O preço cai de R$ 75 para R$ 60. Os tradicionais pontos turísticos, como Pão de Açúcar e Corcovado continuam com seus 50% de desconto.(…)” (via Rio Show, aqui)

Um Assalto de Sorte?

killbill

“Foi um assalto de sorte!”- resumi no carro para o meu amigo. “Afinal, fora o meu ipod, que era velhinho, e meu celular que era um smartphone, não me machucaram, não levaram dinheiro, nem cartões de crédito, nem meus documentos… Dos males, o menor. Considero isso um assalto de sorte. Você vê como são as coisas hoje em dia…”

“É, hoje é assim mesmo – ele respondeu. “Eu já fui assaltado com toda a família em casa, a mão armada, mas, por sorte, era um assaltante sem vocação e compreensivo. Imagina que minha ex-mulher que é estilista negociou com ele várias coisas. Lembro que ele pegou um casaco dela no armário e ela pediu: “ Esse não! Herdei da mamãe! Me deu um trabalhão, reformei, arrumei todo, coloquei essas aplicações… ah, leva outro!” E ele concordou, devolveu o casaco e levou outro. Pode-se dizer que foi um assalto maravilhoso.” – concluiu. “

E que assunto é esse? Explico: fui assaltada nesta semana. Eu saia da academia de ginástica, cerca de 20h, e levava apenas uma pequena bolsa. Virei a rua e entrei na Vieira Souto caminhando na calçada no sentido do Arpoador. A rua estava movimentada, ainda era hora do rush.  Quanto a mim, confesso que estava tranquilíssima, totalmente distraída.

De repente, senti uma movimentação pela minha esquerda e um rapaz de uns 18 anos, negro, magrinho, de tenis e camiseta e com umas bolas de tenis na mão, passou por mim a passos rápidos. “Que susto!” – exclamei intrigada enquanto dava passagem para ele.

Segundos depois, a dois metros de distancia ele parou e ficou de frente para mim, me olhando com olhos ameaçadores. Percebi que era um assalto. Foi como se tudo acontecesse em câmara lenta. Lembrei do meu celular – perda que me aborrecia – e decidi desviar dele, virar para trás e correr – eu estava calçando tenis. Quando me virei, vi outro rapaz que se aproximava agilmente, pronto para se jogar em cima de mim – afinal, eu esboçava uma reação – e me tomar a bolsa a força. Parecia uma cena do National Geographic: eu acuada como se estivesse entre duas hienas.

Ato continuo, evitando um embate físico iminente, joguei a bolsa para o alto e ela caiu uns dez metros a frente. Em seguida, como dois cachorrinhos atrás do osso, eles pularam em cima da bolsa e sairam correndo no sentido do Arpoador. Sumiram, para meu alivio.

Minutos depois, cheguei em casa com as mãos trêmulas e o coração disparado. Adrenalina a mil por hora. Telefonei imediatamente para minha secretária e pedi que ela bloqueasse o meu celular enquanto eu avisava umas três ou quatro pessoas que poderiam me telefonar naquele momento, inclusive este amigo com quem eu ia sair em 30 minutos.

Pois é, já sou prevenida: esta foi a terceira vez que me roubam o celular … Há tempos não escrevo o nome completo das pessoas na minha agenda telefonica e, por sorte, há dias tinha deletado todas as minhas fotos. Sorte! Sem isso, me sentiria com a privacidade invadida demais. Foto em celular tem esse grande inconveniente.

No dia seguinte, veio o relax. Em casa, conversando com meu ex-marido, ele perguntou: “E se você tivesse jogado a bolsa para dentro da grade de algum prédio?” Na verdade, eu não pensei nisso. Mas acho que não teria sido uma boa idéia, afinal, a bolsa estaria protegida, mas eu ficaria do lado de fora com os pivetes que poderiam me machucar de raiva. Sabe-se lá! E ele continuou: “Mas se eles eram rapazotes, e se você desse uma bronca neles, deixasse eles assustados, com medo de você?” Ao que minha filha interferiu: “Pelo amor de Deus, pai. E mamãe lá mete medo em alguém? Nem que estivesse de quimono e faixa preta!’ E meu filho concluiu brincando: “Seria uma cena de Kill Bill, já pensou? A câmera fecha por uns segundos nos olhos da mamãe bem brava, depois nos olhos de um pivete, depois nos olhos do outro e termina numa cena panorâmica com os três posicionados e a mamãe, vestida com aquele macacãozinho amarelo, dando um golpe no ar a la Kill Bill!”

Agora me digam: posso com isso? :)

Refresco: falando em Kill Bill, segue abaixo esse videoclip do filme,  com a música ” Dont Let me be Misunderstood”

Sem foco. Hummmmm… :)

Totalmente desconcentrada para escrever. 

Mas, não sei exatamente o porquê… feliz.

Pelo visto, eu me contento com pouco. Que ninguém saiba disso  :)

E enquanto o foco não vem, segue abaixo um ótimo clip (2  minutinhos) do filme All That Jazz, de Bob Fosse.

Enjoy!

Aviso: Capturei, entre outros, via RSS, o blog da Revista Bravo no tema “Assunto do Dia”, vejam na nova coluna do blog, a esquerda. Com isso, querendo ou não e com ou sem foco, frequentemente  este espaço estará atualizado, através dessas fontes – selecionadíssimas.  Adorei isso! Estou me sentindo a editora chefe deste espaço. Óbvio, não? E não é verdade? :)

Bjks!

Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda, acorda! :)

Chico em “Joana, a Francesa”. Esse video tem um depoimento maravilhoso, onde ele fala sobre a influencia da literatura e da filosofia francesa na sua vida.  E termina com essa música lindíssima, cuja letra segue no final.

“O calor de uma tarde quente, puro torpor e encantamento. E um jogo de palavras em francês e português genial!”

Abaixo, outra versão, também lindíssima,  interpretada por Nara Leão. Aliás, vale ler os comentários neste link, entre eles: “Essa música é uma beleza e na voz de Nara ela ganha uma doçura que só ela sabe dar.”   E não é mesmo?

Enfim, música sensualíssima, interpretações imperdíveis. Melhor impossivel. Vale muito a pena :)

Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Geme de loucura e de torpor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Geme de prazer e de pavor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise

Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Geme de preguiça e de calor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda

******

Este post é um preâmbulo para o próximo, “O Amor … e a Razão” (3), que tem como base o ótimo texto da psicanalista Betty Milan ” O Desafio da Liberdade”, aqui.  Nele eu vou contar uma história verídica, vou falar rapidamente sobre esses três “NÃOS da Liberdade”, por ela abordados, destacando o terceiro, o “NÃO a repetição inconsciente de padrões“. Finalmente, completando essas citadas premissas da verdadeira liberdade, eu acrescentaria – e acrescento – a NÃO COVARDIA. Imprescindível. Acorda! :)letras acima

O amor… e o ciúme (2)

… o monstro de olhos verdes: 

olhos verdes by sara, via Flickr cc

 

” Quando eu tinha vinte e nove anos e era bem bonita – hoje me dou conta -, houve um momento em que engordei quatro quilos. Como sempre tinha sido um fiapo e continuava com cinqüenta e dois centímetros de cintura, mesmo depois de ter tido três filhos, dava para se perceber a diferença. Um dia fui almoçar na casa de meus pais, e, logo que entrei, meu pai me disse: “Danuza, você está um monstro”. Monstro eu não podia estar, mas era outra pessoa; não só pelos tais quatro quilos, mas sobretudo porque, depois de terminar meu casamento com Samuel Wainer e ter tomado outro rumo na vida, com Antônio Maria, havia mudado de personalidade. Samuel foi o único homem que nunca tentou me modificar. Ao contrário: ele me estimulava a ser cada vez mais eu mesma, a me soltar, a desenvolver minha personalidade. Extremamente inteligente e vivido, achava que essa era a estratégia certa para conservar um casamento. Costuma ser, só que não foi.

Com Antônio Maria aconteceu tudo ao contrário: ele me transformou numa pessoa diferente. (…) Demorei a compreender o que meu pai quis me dizer, na sua franqueza: eu não era mais a mesma. Meio gordinha, usando saias mais compridas para cobrir as pernas, rindo discretamente, falando só coisas sensatas. Quieta, inibida, não dizia o que sentia ou achava. Sem pensar, sem ter opinião sobre nada, só podendo gostar do que Antônio Maria gostava e achando bom não ser nada, que é uma maneira cômoda de viver, mas dificilmente dura. O comentário de meu pai fez acender a luz amarela; me olhei no espelho, refleti sobre minha vida e vi que era outra. “ ( Danuza Leão, no seu livro Quase Tudo)  

Eu detesto ciúmes. Não que não sinta, é claro, afinal, sentimento a gente não controla – ainda que possa administrar. Mas nossas ações controlamos, sim. E penso o amor não autoriza uma pessoa a tentar dominar e limitar os direitos da outra. O amor só justifica atenção, bons tratos e carinho. 

Ciúme remete a zelo? Pode ser. Mas sua intensidade não é proporcional ao amor e tem mais relação com a insegurança do ciumento do que com o amado – objeto do ciúme. Portanto, ciume não é prova de amor. Existem outras provas muito mais significativas, como  p.ex,  o “não ciume”, a “não dominação”.

O respeito ao direito do outro é que é a maior prova de amor 

   

“Não quero sugar todo seu leite, 

 Nem quero você enfeite do meu ser (… )” Caetano Veloso  

É um amor pelo amor… Sem controle, sem possessividade, lindo, leve e solto. Um sonho, não? E seja o que Deus quiser :)

Sentir ciúme é inevitável. Exercê-lo é desrespeitoso. Simples Assim :)

Leia mais: As relações afetivas estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor 

 Próximo post: “O amor… e a razão” (3), vide link acima, entre outros 

Foto de Sara, via Flickr cc

O amor e … uma pessoa sensível (1)

pessoa-sensivel

Estava concentradíssima na minha aula de Shakespeare, lendo a cena do balcão em Romeu e Julieta, quando Cristina perguntou ao grupo: 

“Vocês não acham o Romeu meio enjoadinho, não?”

Ela tem razão – pensei -, Romeu é enjoadinho. Lindo de morrer, no filme do Zefirelli, mas enjoadinho. Como diz minha filha, quase um “malinha”.

 “Vocês acham que ele tem alguma semelhança com Hamlet?” – ela continuou.

“Claro que eles tem semelhanças” – palpitei. “Ambos são homens mais de reflexão do que de ação. São mais sensíveis. No caso do Romeu, p.ex, ele tem o atenuante de ser ainda muito mocinho, só tem dezesseis anos. É sonhador demais. Tão bobinho… Quem domina o casal é a Julieta… Já Hamlet é mais velho, mas está em crise dominado por um compromisso de vingar a morte do pai. Para ele que também é um homem mais sensível, de reflexão, isso é paralisante, um peso, sem dúvida… Agora, em condições normais, eles devem ser homens bacanas!”

 “Eu também não acho esse tipo de homem enjoado, não. Prefiro esse tipo do que um tipo mais agressivo, mais grosseiro…. – comentou Bia e perguntou: “Quem seria um homem mais sensível, mais doce como eles hoje em dia? “

 “Que tal Caetano Veloso?” - perguntou Paula. “Ele não é um tipo autoritário. Parece um tipo de homem mais sensível…”

“E Chico Buarque ?” – arriscou a professora.

Fez se tres segundos de um silencio sonhador e sorridente na sala. E voltamos a leitura :)

Próximos posts: O amor… e o ciúme (2) e O amor… e a razão (3)

Tricotando na blogosfera, com Denise Sollami – o retorno :)

Tricotando na blogosfera 2 copy

 

Dois anos passam super rápido. Lembro muito bem dos posts que fiz com a Denise, minha querida amiga, cuja amizade começou virtualmente. Sorte? Afinidade descoberta na internet? Sei lá :) O fato é que começamos juntas na comunidade Globoonliners e aqui estamos, juntas, fazendo o post da despedida.

Sentiremos saudades…

Ana: Então, Denise, que pena essa desativação do Globoonliners, não é? O que será que houve? O que deu errado?

Denise: Talvez crise de identidade, a tal polêmica sobre o quanto a internet, através dos blogs, vem modificando o peso da imprensa feita pelos profissionais da área. Não sei ao certo. A comunidade aqui foi feliz, não havia hostilidade, mas não posso dizer que tenha sido alvo de muita atenção por parte de quem a abrigava. De toda forma, adorei ver como há pessoas que gostam de escrever e que têm uma visão particular sobre o noticiário e outros assuntos, assim como gostei imenso de conviver com algumas em especial. Você, por exemplo, é uma amizade criada aqui e que transcendeu para a vida dita real. Quanto ao que não gostei, nada digno de realce. Uma ou outra bobagem apenas. E você, Ana Luiza, o que acha que houve? Não acha que a notícia do fim foi um tanto seco? Se vai haver outra comunidade, como anunciado, poderia haver uma transição entre o globonliners e a próxima comunidade, não?

Ana: Vamos por partes, Denise. Primeiramente, obrigada. Você sempre gentil. Sem dúvida, a sua amizade foi um ganho que faz diferença na minha vida. Você é muito inteligente e, apesar de jovem, bastante vivida, talvez pela profissão, ou maturidade, não sei. E escreve muito bem. Sempre achei muito curiosa a sua maneira de ver o cotidiano, foco recorrente no seu blog. Você observa e destaca alguns pontos do dia a dia, que sempre enriquecem a minha visão. É como a gente apreciar um quadro, acompanhada por uma outra pessoa. Observamos isso ou aquilo e a pessoa destaca este ou aquele outro detalhe. E terminamos com uma visão mais completa, mais rica. Muito bom. Quanto ao Globoonliners, primeiramente gostaria de destacar que, para mim, o maior mérito deste projeto do jornal “O Globo” foi a iniciativa de se dar a palavra ao leitor. Palavra livre, vale ressaltar, sem direcionamento algum. Portanto, lamento a sua desativação. E acho que essa decisão se deve a vários fatores. Posso citar, por exemplo, o fato de rede social/comunidade não ser o negócio deles. De fato, como você mencionou, sempre houve algum afastamento/desinteresse pela comunidade. Mas, por outro lado, eles agora dizem que o negócio deles é informação. Até publicidade é informação (!?)… Então!? Talvez ainda seja um leve resquício de alguma “antipatia” por blogueiros, coisa tão pequena e retrógrada, afinal, já diz o ditado: “se não pode ir contra eles, junte-se a eles”. Isso é velho, não? Não acredito que seja o caso… Talvez algum “enxugamento” na empresa por conta da crise na mídia mundial, fato notório e já comentado por mim em outro post, aliado a uma decisão precipitada – afinal, o custo do Globoonliners não pode ser relevante. Falam em uma nova comunidade e transferencia da equipe para desenvolve-la. Mas, a custa da desativação desta, isso não é economia? Economia de equipe é o quê? E será uma economia tão significativa assim? E sim, o comunicado foi muito seco, especialmente para tempos web 2.0, 3.0, ou o que seja. Me lembrou o jornalista Pedro Dória ( ex-nominimo) num post sobre midia/jornalismo: “Jornais e revistas não gostam de falar de si mesmos. E, quando falam, de tão relidos e cuidadosos, os textos vêm com aquele tom oficialesco como quem diz: é isto que quero falar agora, nada mais tenho a declarar”.   Não foi essa a nossa impressão daquele comunicado que mais parecia um daqueles comunicados de jornal impresso? E sendo a decisão de desativar o Globoonliners irreverssível, você tem razão, por que não aguardar a nova comunidade e então promover uma transferencia dos usuários? Enfim… E você, o que você vai fazer agora? Quais os seus planos?

Denise: Nunca desativei meu outro blog, o quieta em meu canto, de maneira que volto para ele sem nenhum problema. E você, vai manter outro blog ou desiste desse negócio? Aliás, uma pergunta: uma vez blogueira sempre blogueira?  

Ana: Se uma vez blogueira sempre blogueira? Acho que sim :) Hoje eu já tenho outro blog no wordpress – Ana SimplesAssim, simples sim, banal nunca :)) – , que iniciei quase simultaneamente ao Globoonliners. Parte do meu trabalho tem relação com internet, eu costumo – e devo – testar todas essas novidades e ferramentas. E são muitas. Digo que ao envelhecer não vou precisar fazer Sudoku para exercitar o cérebro. Só o exercício que é entender, experimentar e pensar em meios e plataformas digitais… E sem falar no conteúdo. Eu gosto de me envolver em coisas úteis, sempre prefiro escrever posts que acrescentem …. Nem que sejam brincadeiras, que, as vezes, também são úteis, é claro. E isso também dá trabalho, afinal, tenho que ler, refletir, resumir, escrever pensando no meu leitor: como seduzi-lo e leva-lo até o final do texto? Enfim, no frigir desses ovos, aprendo pra caramba. Adoro :)  E também é interessante conhecer melhor as pessoas, saber o que se passa pela cabeça delas. Ver, p.ex, o que interessa mais ao pessoal, quais os blogs “hit parade” e porquê. Não é curioso? E finalmente, Denise, para terminar, por que você escreve, por que tem um blog?

Denise: Tenho um blog porque escrevo e porque quis desvendar o que ia para as gavetas do meu computador. Agora, porque escrevo, não sei. Mas gosto imenso da palavra escrita e tenho muito prazer em ver no papel meu devaneios. Valeu, Ana! Foi ótima nossa segunda tricotagem! Um beijo muito carinhoso para você.

 Ana: Obrigadíssima, Denise. Como sempre, ótimo estar com você, ainda que virtualmente :) Bjks!

Post relacionado:  Crise na midia - sobre dificuldades e desafios do jornalismo hoje, aqui

Aviso: Estou reativando aos poucos esse meu blog no wordpress, publicando meus posts favoritos e já incluindo outros novos e alternativos. Desconheço se tenho como avisar posts recentes. Portanto, quem quiser me acompanhar  sugiro que assine o RSS. É só clicar lá – facilimo.

 De qq forma, em caso de desencontro, me joga no Google! Bjks! :)

Ana SimplesAssim, no Google, aqui.

Flamengo… no Twitter

flamengo-by-tmlvngs-via-flickr-cc1

Ainda não sei o resultado, estou na expectativa. Mas me lembrei de checar o que falam no Twitter, neste momento, sobre o jogo. Olha só aqui: 

Flamengo no Twitter- agora (aqui).  Será que precisa estar logado? Loga aí! É rapidinho… :)

E será que ganhamos?

Atualização das 18h30m:

Ganhamoooos! Mengão Tricampeão Carioca! :)

Foto de tmlvngs via Flickr cc

Momento “Alô, Doçura!” :)

 rocambolelaranja1

Hoje acordei com vontade de comer um doce meio azedinho… mas o quê seria? Huuummmmm, azedinho mas nem tanto… e fácil de fazer, de preferência :)

Maria – perguntei, entrando na cozinha -, cadê aquela receita do rocambole de laranja do Antiquarius?” 

Sim, amigos, do Antiquarius! Manuelzinho me deu pessoalmente. Isso, é claro, atendendo a um charmoso pedido… Pra que existe charme, né não? :)

“Hummm, Manoelzinho… esse rocambole é uma delicia irresistível!, perco a minha cabeça… Como é que se faz, hein?” E ele, sorridente, respondeu que ia ver na cozinha. Cinco minutos depois, já no cafézinho, eis que o Manuelzinho surge, mais sorridente ainda, com a receita manuscrita num pedaço de papel! Ele não é um encanto?

Maria, aquela receita tem história, vale ouro, não pode sumir!” – comentei preocupada.

A senhora já viu no computador? Procura lá, que eu vou ver nos meus guardados” – ela me respondeu tranquila.

Revirei meu computador e nada. Ainda não transferi todos os meus arquivos para esse laptop novo… olha o perigo! O que a gente perde… Cadê as minhas receitas??? – pensei já com raiva de mim mesma.

“É essa aqui?” – Maria perguntou enquanto me mostrava a receita numa folha de papel, impressa a partir do computador onde deve estar a receita digitada - conforme ela supôs e acertou, como sempre. Que alivio! Maria está no controle… :)

E, mãos a obra, vamos ao que interessa!

Rocambole de laranja Antiquarius (by Manuelzinho)

Ingredientes: 13 ovos, 500gr açúcar, 200gr suco de laranja, 1 colher de sopa de raspas de laranja.

Modo de fazer: Misturar ou bater tudo muito bem e assar num tabuleiro untado com manteiga e açúcar por cerca de 20 min, até ficar com uma consistência esponjosa. Desenformar e cuidadosamente enrolar (puro) e ainda morno, com a ajuda de um pano de prato úmido. Levar à geladeira. Na hora de servir, salpicar açúcar e canela. Pronto! Hummmmm… Delicia! :)

**

Falando em doces e doçura, rapidamente, lembrei da Eva, minha professora de literatura. Hoje estou lendo Shakespeare com um pequeno grupo de estudo, mas há alguns anos, li com esse mesmo grupo e outra professora, toda a obra de Marcel Proust. Como o grupo é pequeno e essas leituras levam anos, acabamos, obviamente, nos conhecendo melhor visto que debatemos algumas questões da obra a partir de nossas perspectivas pessoais muito diversas – e enriquecedoras. Eva é casada com um diplomata e ao termino da nossa leitura de Proust, eles foram morar em outro país. Na sua despedida, durante um jantar, ela nos surpreendeu com um poema para cada uma das suas alunas. O meu poema foi esse abaixo:

“Ana Luiza e os doces
A doçura de Ana Luiza
Os textos de Ana Luiza
As perguntas de Ana Luiza
Ana Luiza e a praia”

Tem a ver comigo? Eu gosto. Nunca divulguei, por timidez, mas quer saber? É o meu momento marketing pessoal. Sorry, periferia ;))

Crise na mídia

Insane newspaper readers IV- flickr thori pablo

“Informação. Nosso negócio é informação”.

É como hoje os jornais definem o seu negócio. E que negócio. Afinal, informação é um conceito tão vago. Informação é etérea, efemera, manipulada, fluida, escorre pelos dedos… Como rentabilizar informação?

Esse é o grande desafio do jornalismo atualmente. Com a popularidade da internet e, consequentemente, com a propagação de jornais digitais e blogs, entre outros, o monopólio da informação em escala acabou. Segundo o jornalista Pedro Dória no post “O Futuro do jornalismo (Que futuro?)”, “Richard Gingras, um dos fundadores da Salon.com, executivo do GoogleNews, consultor do New York Times e do (excelente) blog político Talking Points Memo, resume assim: pusemos uma rotativa nas mãos de quase todo mundo. Agora, acabou.”

A rotativa é a internet. Mais cedo ou mais tarde, as mudanças serão visiveis.

Em poucas palavras, no mundo inteiro, aos poucos, os leitores estão se tranferindo do jornal impresso para o jornal online, para a internet. A publicidade – que juntamente com a receita de venda nas bancas e assinaturas sustenta um jornal – não tem comparecido, não tem acompanhado essa transição – situação esta ainda mais critica por conta do grande concorrente em publicidade digital, o Google. Por outro lado, devido a crise finaceira atual, a verba de midia diminuiu bastante e o espaço no jornal impresso é considerado caro. Ou seja, os leitores tem migrado para a internet onde a receita publicitária (no jornal online) não tem crescido, enquanto ao mesmo tempo, este receita publicitária tem diminuido no jornal impresso. Fui clara? Considerando que, ao contrario do jornal impresso, no jornal online o leitor não paga para ler, quem paga esta conta?

Dentro deste contexto critico, naturalmente, a questão da credibilidade de um jornal vem a tona. Credibilidade vale ouro. Afinal, com a publicidade (inclusive a oficial) mais valorizada do que nunca, redações “enxutas” e fragilizadas, terceiros “vazando” notas, releases e até dossies politicos tendenciosos ou forjados (conforme o ombudsman do ig), a leitura atenta e cuidadosa de um jornal é indispensável. E a credibilidade, um diferencial indicutível.

Pedro Dória, que já citei acima, no seu post ” Objetividade da Imprensa” afirma acreditar “que a imprensa brasileira é, hoje, mais profissional e objetiva do que em qualquer outro momento de sua história”, vale ler, e conferir. Mas ele comenta a respeito da sua opacidade, afinal, a imprensa cobre todos os setores da sociedade, como o setor de aviação, o setor bancário, o setor petrolífero etc, mas não cobre a industria jornalistica! “O público percebe: está ali uma indústria opaca, talvez a única indústria que não sofre de fato o escrutínio da imprensa. É natural que desta percepção nasça desconfiança. Falta transparência, falta mostrar como a salsicha é feita (…)Talvez, para sua surpresa, uma indústria tão defensiva como a da grande imprensa descobrisse que ela é justamente a quem tem mais a ganhar se recebesse a mesma luz que joga sobre o resto do mundo.” 

As mudanças estão a caminho. O NYT, p.ex, entre outras experiencias interativas, “inicia” seu novo publisher no blog City Room, sobre a cidade de Nova Iorque, onde ele interage diretamente com o leitor, conforme postou Tiago DóriaGood news!

Enfim, torço para que este desafio da imprensa seja resolvido a contento, afinal, “(…) é nela, perante os olhos de todos, que os grandes debates nacionais acontecem. A imprensa surgiu para ser a voz do cidadão e o olho do cidadão nos afazeres públicos”. Ela tem um papel fundamental na sociedade, é um dos alicerces básicos da democracia.

Aviso: Desconheço se aqui tenho como avisar posts recentes. Portanto, quem quiser me acompanhar (ou me seguir, segundo o Twitter) sugiro que assine o RSS. É só clicar lá – facilimo.

De qq forma, em caso de desencontro, vai para o Google! Bjks! :)

Ana SimplesAssim no Google, aqui

Entrevista/Video de Gay Talese: “NYT errou ao oferecer notícias de graça na internet” – aqui  

Foto: “Insane newspaper readers IV”, de Thori pablo, via Flickr cc

Loving Shakespeare

“Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.”  (Shakespeare)

Amigos, estou fazendo um curso de Shakespeare na minha casa com umas amigas, ministrado por uma professora – sensacional, apaixonada e apaixonante – especializada no seu trabalho. Além do seu rico conteúdo, a forma como ele (Shakespeare) “tece” o seu texto é literalmente encantadora. Ficamos nas nuvens ao final das aulas.

Como todo mundo sabe, William Shakespeare (1564 – 1616) foi um dramaturgo e poeta inglês, amplamente considerado como o maior dramaturgo da Língua inglesa e um dos mais influentes no mundo ocidental. Suas obras, que permaneceram ao longo dos tempos, consistem de 38 peças, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias. São mais atualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo.

Ele viveu durante o renascimento e é um exemplo das novas características do homem moderno e renascentista. Valorizava, entre outros, o racionalismo, o individualismo e o naturalismo – em suas peças muitas vezes os protagonisas eram pessoas reais, com todos os seus defeitos e qualidades.

Segundo Harold Bloom, “…ele criou a noção que temos do que é humano. Sua obra torna acessível a qualquer um a sabedoria que só um filósofo pode possuir, mas que o cidadão comum não pode alcançar por meios convencionais. É uma filosofia imediata, que se dá nos dramas, na mistura de tragédia e comédia, nas passagens em que Hamlet toca no problema da metafísica e Lear conclui que o mundo é irrecuperável. Hamlet é o personagem mais sábio de toda a literatura. Shakespeare escreve tudo da forma mais natural. (…)”

Ele também era um homem politico. Segundo José Renato Ferraz da Silveira, cientista politico e professor de Ciência Política na PUC-SP, “(… ) O bardo inglês realiza a teatralização da política expressando as tensões e paradoxos que atravessam a esfera do poder: o potencial com que a Política pode contribuir ou impedir a melhoria da condição humana. Nesse sentido, a política para Shakespeare é uma atividade tipicamente humana caracterizada pelo binômio: motivação pelo poder e a inevitabilidade do conflito. Surge daí, uma das novidades da nova perspectiva de compreensão da política, ou seja, o reconhecimento da permanência do conflito. Caracterizar, portanto, a política moderna ou contemporânea é entendê-la como jogo de forças opostas resultantes dos inconciliáveis desejos humanos. Tal “choque de interesses” evidencia o caráter trágico do jogo político: conquista, manutenção e perda do poder (…)”

Futuramente, vou aprofundar mais essa veia politica de Shakespeare, que aparece até na romantica peça Romeu e Julieta (na disputa de poder entre as familias Montecchio e Capuleto, e na consequente falta de autoridade do principe de Verona, p.ex). Enquanto isso, segue abaixo um dos seus sonetos onde se pode perceber claramente sua aceitação e posição contra a idealização do objeto do amor. Deleitem-se!

Soneto 130

Não tem olhos solares, meu amor;
Mais rubro que seus lábios é o coral;
Se neve é branca, é escura a sua cor;
E a cabeleira ao arame é igual.

Vermelha e branca é a rosa adamascada
Mas tal rosa sua face não iguala;
E há fragrância bem mais delicada
Do que a do ar que minha amante exala.

Muito gosto de ouvi-la, mesmo quando
Na música há melhor diapasão;
Nunca vi uma deusa deslizando,

Mas minha amada caminha no chão.
Mas juro que esse amor me é mais caro
Que qualquer outra à qual eu a comparo.

                                  **

My mistress’ eyes are nothing like the sun;
Coral is far more red than her lips’ red;
If snow be white, why then her breasts are dun;
If hairs be wires, black wires grow on her head.

I have seen roses damask’d, red and white,
But no such roses see I in her cheeks;
And in some perfumes is there more delight
Than in the breath that from my mistress reeks.

I love to hear her speak, yet well I know
That music hath a far more pleasing sound;
I grant I never saw a goddess go;

My mistress, when she walks, treads on the ground.
And yet, by heaven, I think my love as rare
As any she belied with false compare.

 Video: Soneto 130 – My mistress’ eyes por Alan Rickman                                                                                                           

Chocolate! Só quero chocolate…

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Amo, adoro chocolate. Sempre que tenho que escolher uma sobremesa, em qualquer ocasião, prefiro, p.ex, as que tem chocolate. Já sentiram, né? Sou uma chocólatra asumidíssima. E ponto.

Mas, felizmente, essa “paixão absoluta” não quer dizer que eu não aprecie variações, pelo contrário: embora eu considere os sabores/recheios clássicos como nougat, trufas, ou gianduia absolutamente deliciosos, dentro dessa categoria também gosto muito de novidades e combinações inusitadas. Ai é que mora o perigo… :)

Segundo a Larousse do Chocolate, assinada pelo famosíssimo chocolatier francês Pierre Hermé, uma degustação séria de chocolate deve avaliar:
-  aspecto: tem cor, brilho, deficiências?
-  quebra: é certeira? O chocolate não pode esfarelar.
-  aromas: # é frutado? (notas de amêndoa, avelã, noz, figo, passas, ameixa-seca, marmelo, damasco, frutas vermelhas, banana, manga, frutas cítricas etc.); # floral? (notas de laranjeira, rosa, violeta, jasmim); # madeira? (exótica, alcaçuz); # vegetal? (ervas, chá, tabaco, horta); # especiarias? (canela, baunilha, cravo, pimenta, noz-moscada, hortelã); # empireumático? (aromas de fumaça, de grelhado, caramelho, café ou cacau torrado, borracha); # animal? (caça, couro, bode, queijo de cabra, presunto);  # etéreo? (bombom inglês, vinagre, vinho, rum, leite, manteiga, estábulo, cerveja, sabão; # químico? (metal, juta, produto farmacêutico)
- textura: como ele é na boca? Liso, granulado, pastoso?
- sabor: é ácido, amargo, adocicado? Como são os taninos e a eventual adstringência?
- o tempo de permanência na boca é curto? Longo?

 

Minha avaliação é bem menos séria (técnica) e infinitamente mais “sensorial-sentimental”, digamos assim. Acho muito melhor degustar o chocolate ou bombom de chocolate com mais leveza, com calma, beeeem devagarinho. Uma coisa quase tântrica… :)

Como já comentei acima, embora eu adore combinações inusitadas e criativas no sabor,  não abro mão também da beleza ”fisica” – a foto desses bombons do Pierre Hermé,  nesse post, aqui aumentada, não é uma coisa? Não é para cair de boca? Reparem na sedução visual :) Também não abro mão do aroma…. Não esquecendo também da temperatura ambiente, imprescindível. Enfim, não abro mão de usar os meus cinco sentidos na apreciação de um chocolate.

Ok, então como eu degusto chocolate? SimplesAssim: primeiro quero saber a procedência. Convenhamos, eu não vou gastar meus créditos calóricos em chocolate “mais ou menos”, né não? Depois seguem:

* Visual – beleza e atratividade são fundamentais. Até gosto de um estilo conservador – desde que consagrado, vejm mais fotos aqui –, mas também gosto muito de criatividade e audácia. Olhem, p.ex, essas lindas embalagens com desenhos de pin-ups, aqui. Vejam também esses bombons decorados com silkscreen – um must -, aqui. Está super na moda, vejam outras fotos aqui também, do famoso MarieBelle de NY. Não são lindos?
* Aroma – importantíssimo. Percebam as diferenças de aromas entre o chocolate amargo, ao leite, os recheios…
* Sabor – sou curiosa, provo tudo. Se adoro o clássico bombom com nougat, também amo combinações que envolvem contrastes com azedinho, com picante, com bebidas… hummmm
* Tato - leia-se textura e temperatura, é claro. São itens delicadíssimos, pois podem comprometer todo o chocolate. Temperatura ambiente – sempre – é fundamental. Já a textura pode e deve ser variável. O chocolate pode ser mais macio, mais duro, com textura crocante, mais fluida ou não… Cada caso é um caso… :)
* Audição – essa aprendi com Ferran Adrià, que busca atingir os cinco sentidos em sua gastronomia. Aqui, a audição pode ser atingida através do recheio, crocante, p.ex. Basta, ao mastigar, prestar atenção no barulhinho :)

E quem viu o filme “Chocolate” com Juliette Binoche e Johnny Depp? Ótimo. Eles fazem um casal lindo e têm uma bruta “química”, assim como todo o filme. Vide trailer aquiE a música de Tim Maia ” Chocolate”. Quem não lembra? Veja-ouça aqui.

Finalmente, e a sedução? Chocolate excita mais do que beijo? É o que afirma matéria do G1. Vocês concordam? Eu não concordo: adoro chocolate, mas acho que, nesse sentido, beijo é melhor. Obviamente que depende do beijo e do chocolate. Mas se tomarmos como exemplo o melhor beijo e o melhor chocolate…hummm, o beijo ganha disparado. E se for com gostinho de chocolate então… é imbatível. Delícia! :)

Come chocolates, pequena.
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates
. (Fernando Pessoa )

Choc-chips:

- Endereços dos melhores chocolates artesanais do Rio ( bom guardar esse link: uma cx de bombom especial é sempre um ótimo presente)

- Video de um tour pela fábrica de chocolate do Jacques Torres’ (em Nova Iorque), que foi um dos mais famosos pastry chef do Le Cirque (NY). Reparem que ele produz o próprio chocolate a partir da semente do cacau. Provei e, sem dúvida, é uma maravilha, um requinte, mas, particularmente, não acho indispensável. Bem próximo dele, se encontra a “micro” loja Kee’s Chocolates onde podemos ver a dona, a chinesa Kee trabalhando.  Ela me contou que é de Macau, mas não fala português pois mora em NY desde criança). Seus chocolates receberam, pelo sabor, avaliação 29 do critico Zagat e a matéria prima (chocolate) não é fabricação própria e, sim, de origem belga. Lembro de uns bombons bem diferentes que provei recheados com “creme brulee”, maracujá, nougat e até apimentados – ma.ra.vi.lho.sos. 

- Pierre Hermé: artista, chocólotra – ótima matéria do Estadão, aqui 

Foto ” Chocolates de Pierre Hermé”, de roboppy, via flicker cc      

Medo? Que medo?

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Domingo, dia 18 de fevereiro, lendo a excelente entrevista de Armínio Fraga ao jornal O Globo cujo título era ” Recessão nos EUA será ’suave e prolongada’, me chamou a atenção a afirmativa dele sobre a gangorra dos mercados: “Hoje o medo está suplantando a ganância”.

Bem, ganância é ganância e, de forma geral, tenho lá minhas dúvidas sobre isso – nem sei se concordo ou não. Vejo tanta ganância (*)… Mas em se tratando de mercado financeiro, investimentos a curto prazo, capital especulativo… bem, quem sou eu para discordar dele? Se até o Bauman concorda….

“Que computador foi danificado pelo sinistro ” bug do milênio? Quantas pessoas você conhece que foram vítimas dos ácaros de tapete? Quantos amigos seus morreram da doença da vaca louca? Quantos conhecidos ficaram doentes ou inválidos por causa de alimentos geneticamente modificados?” Esta seqüência de perguntas está no capítulo de abertura do livro do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, Medo Líquido, recém-lançado no Brasil… A elas, ele não dá uma resposta, cumprindo apenas seu papel de provocador. Mas nem precisaria. Esse questionamento faz parte do que ele chama de “a era dos temores”….”Residente em Londres e professor emérito de sociologia das Universidades de Leeds e de Varsóvia, Bauman tem, no Brasil, 13 livros publicados – entre eles, Amor Líquido e Globalização: As Conseqüências Humanas. Grande amarrador de idéias que vagam no ar, ele desenvolveu o conceito de uma sociedade “líquida”, partindo do princípio de que as certezas e a previsibilidade do futuro estão diluídas…”

Para Bauman, um dos sinais de que estamos subjugados pelo medo é a percepção de que “todas as situações que nos ameaçam parecem orientadas por poderes que nos fogem ao controle. “Poder e política, uma dupla que até pouco tempo estava casada dentro das nações-estado, estão desquitados e querem se divorciar. Temos cada vez mais políticos sem poder e poderes sem nenhum controle político”, afirma. “
“…não há perspectiva de que esse clima de insegurança seja sanado. “Pelo contrário, os governos e os mercados têm interesse em manter esses medos intactos e, se possível, aumentá-los…”

Resumindo a entrevista que ele concedeu para a jornalista Flávia Tavares, do Estadão, temos:
“Governados pelo medo: A sensação de insegurança rege mercados e relações sociais. E ninguém parece ter controle sobre os perigos invisíveis que nos ameaçam. “” O aspecto mais assustador dos medos é que não temos, nem podemos ter, nenhuma certeza se eles são genuínos ou imaginários. Isso leva as pessoas a gastar mais em coisas de que não precisam e as faz apoiar políticos que não se preocupam com seu bem-estar. Não sou economista nem profeta, e seria desonesto de minha parte falar sobre os aspectos técnicos da crise financeira. Aliás, mesmo as pessoas com credenciais para isso estão fazendo previsões falsas, dando conselhos equivocados e sendo surpreendidas. Vivemos agora – como já vivíamos antes desse colapso nas bolsas de valores, do 11 de Setembro ou do Katrina – em um estado de medo permanente e incurável. Medos emanam de absolutamente qualquer coisa: falta de estabilidade no trabalho, constantes mudanças nas regras do jogo da vida, fragilidade nas parcerias, falta de reconhecimento social, ameaças de epidemias, comidas cancerígenas, possibilidade de ser excluído do mercado, ameaças à segurança pessoal nas ruas. Os medos são muitos e diferentes entre si, mas eles alimentam um ao outro, formando um estado de espírito que só pode ser descrito como “insegurança geral”. Nós nos sentimos ameaçados, mas não sabemos exatamente de onde vêm as ansiedades… Os medos estão flutuando no ar. Os especialistas nos dão diagnósticos conflitantes – o que ontem parecia impossível é anunciado como iminente e inescapável hoje. Por isso, estamos sempre “psicologicamente prontos” para um desastre e imaginamos que o mundo seja um contêiner de perigos. E, como disse o grande sociólogo W. I. Thomas há quase um século, se as pessoas acreditam que algo é real, elas vão agir de uma forma que vai tornar aquilo real.”

“…Nos tornamos mais temerosos do que éramos antes porque, anteriormente, o Estado havia encontrado a forma de convencer os cidadãos a ser obedientes: oferecia em troca a promessa de proteção contra as ameaças a sua existência. Não mais tendo condições de cumprir tal promessa, esse Estado acaba por mudar a ênfase da proteção contra os perigos à segurança social para os perigos à segurança pessoal – e, assim, “subsidiar” a batalha contra o medo. Os medos estão agora difusos, espalhados e indefinidos. Isto é o que os torna tão assustadores e de difícil eliminação. Essa característica “líquida” do medo o transforma em capital político e comercial – que os políticos e as empresas estão sempre tentados a reverter em algo lucrativo. O apelo popular de se fazer algo contra as causas desconhecidas das ansiedades e de combater as ameaças invisíveis pode ser distorcido e redirecionado para objetos que não são necessariamente responsáveis pela nossa insegurança, mas são convenientes do ponto de vista político e mercadológico. Essa mudança de foco não cura a ansiedade e, portanto, não diminuirá o suprimento de “capital do medo” – mas servirá para que sejam vendidos produtos relacionados à segurança e, por um breve período, reduzirá a tensão. Quando os medos da população se tornam uma tentação comercial, há poucas chances de eliminá-los pela raiz. Pelo contrário, os governos e os mercados têm interesse em manter os medos intactos e, se possível, aumentá-los…”

(Flávia Tavares) - “O senhor diz, em seu livro Medo Líquido, que a globalização eliminou qualquer possibilidade de segurança, já que a abertura dos mercados e dos países acabou com as proteções. Como se deu esse processo? Países com maior desigualdade social, como o Brasil e outros emergentes, tendem a sentir mais medo? Estamos mais vulneráveis aos perigos nas grandes cidades? Quais as conseqüências disso?” Leia mais aqui.

                                                                                                   **

Não li o livro ainda, mas só essa entrevista já é bastante instigante – afinal, indiscutivelmente temos, sim, muito medo. Na verdade, vivemos uma época de medo generalizado. Medo da violência, medo do desemprego, medo de doenças, medo de mudanças, medo do outro, medo de falar em público e até medo de perder o tempo! Tudo é motivo para estresses e ansiedades desnecessárias.

Por sorte, eu, particularmente, ainda que seja cuidadosa, não sou das mais medrosas. Já fui, principalmente, quando criança. Mas hoje não admito e costumo enfrentar meus medos – se eles me incomodamos e os considero infundados, é claro. E isso é uma conquista difícil. Alguns deles como, p.ex, o medo de perder, ainda preservo em parte – para bem ou para o mal. :)

Enfim, medo é um sentimento muito forte, pode ser aterrador e até paralisante. O que é desagradável e anti-produtivo. Para mim, a melhor estratégia para enfrentá-lo é a desconstrução desse medo, através da brincadeira, deboche mesmo. Um filme ótimo dentro desse espírito é o ” Jovem Frankenstein” de Mel Brooks, que é considerado uma das melhores comédias do cinema. Foi de lá que tirei o título deste post, mais precisamente neste trecho aqui, hilário. Reparem que em um dado momento, quando o dr. Frankenstein percebe a corcunda do criado Igor e se oferece para operá-lo, ouve a seguinte resposta: “Corcunda? Que corcunda?” Não deixem de ver e divirtam-se com o medo também!:)Então me digam: Será que vivemos mesmo uma “Era de temores”?

(*) P.S.: Coincidentemente, ganância é uma das características principais – e se sobrepuja ao medo – nos personagens dos dois filmes mais premiados pelo Oscar 2008: “Onde os fracos não tem vez” e “Sangue Negro”. Impressionante!

Foto de frawis, via Flickr cc  

No escurinho do cinema…

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 …em busca do tempo perdido.

Existem momentos mágicos na maneira de dois seres humanos se relacionar. Eles estão contidos em algum lugar. Num olhar que se troca; numa frase que se completa; num par de mãos que se encontram. Olhares, frases, mãos, existem por toda parte. Mas é uma química, de novo, mágica, que permite que aflore alguma coisa perfeita e insubstituível, que muitos chamam de paixão. Falo em química porque reconheço a impossibilidade de uma expressão irretocável no sentido absoluto. E me permito essa divagação extemporânea porque tenho consciência da relativização de uma criação literária, ou cinematográfica….Nada acontece por acaso…O núcleo do filme está em Tommy Lee Jones, cujo personagem já não se espanta com nada. Jones não participa diretamente de nenhuma das ações que envolvem o assassino e suas presas e ainda assim está no centro de tudo. É ele que abre o filme, em off. Não está falando de Chigurth, mas de um jovem assassino que prendeu há tempos atrás. Está falando de valores esquecidos…É destes valores a que se refere o belo título, onde “old men” foi impropriamente entendido como “fracos”. É isso que permeia, delicada e imperceptivelmente, todo o filme. Onde os Fracos Não Têm Vez não é sobre a perseguição a um caipira que achou uma mala cheia de dinheiro. É sobre a corrida ao tempo que se perdeu no meio do caminho. Sua matéria-prima é o vazio – que o fazendeiro, o assassino, o xerife exprimem à sua maneira.” NELSON HOINEFF, do site “criticos.com”.

“Onde os Fracos não têm Vez é, sem dúvida, um filme sobre o tempo. Esta perspectiva está evidente nos diálogos e no registro da mentalidade regrada dos idosos no interior dos Estados Unidos, mas também na câmera dos Coen, a julgar pelo movimento lento, sutil, que acompanha a evocação de fatos antigos pelo velho Ellis diante de Bell. Se as pontes para o passado foram queimadas e não há como controlar o presente e muito menos o futuro, pode-se, é claro, fazer projeções de acordo com as evidências apresentadas. Nesse sentido, uma fala de Anton Chigurh é bastante sintomática: “você sabe como tudo isso vai acabar, não?”, pergunta a Llewelyn Moss. Os Coen seguem à risca o aviso de Chigurh. Mas o espectador se surpreende até o final da projeção.” DANIEL SCHENKER WAJNBERG, do site “criticos.com”.

“Onde os fracos não tem vez” era o meu favorito entre os que concorriam pelo prêmio de melhor filme no Oscar 2008. É um filme árido e rascante, que nos tira da zona de conforto. A narrativa, a câmera, os diálogos são econômicos, sintéticos…Sequer tem trilha sonora. O espectador está sempre no melhor ângulo e se sente também perseguido pelo psicopata assassino que surpreende a todo instante. E ele não se deixa tocar em momento algum. No máximo permite que a sorte decida e propõe uma aposta tipo “cara ou coroa”.

Se destacam também, especialmente, duas cenas envolvendo dinheiro: a primeira quando o fazendeiro, ferido de morte na fronteira do México, compra a jaqueta de um rapaz e pede também a cerveja dele – que entra na negociação. A segunda foi no final, quando o assassino, também ferido de morte, oferece dinheiro pela camisa de um adolescente que se dispõe a dá-la de graça. E o desejo do assassino é mais do que comprar a camisa: ele também quer comprar o silêncio. Em seguida, o adolescente discute com um colega, que também presenciou a cena, pelo dinheiro, pois o outro, por ter presenciado a cena, se acha também com direito a parte dele. Ou seja, no primeiro momento, as pessoas se surpreendem com a proposta de vender alguma coisa, mas em seguida, se deixam seduzir pela proposta e começam a negociação. Conclusão: tudo se vende, tudo se compra. Impressionante. Daí o lamento final de que os tempos mudaram e, infelizmente, valores se perderam. E a gente termina com a impressão de que o protagonista do filme é o malote de dinheiro.

“Sangue Negro” também é um excelente filme, e também traz uma temática pessimista. A gente sai do cinema pensando na vida daquele homem – tão sem sentido. Pra quê aquilo tudo? A transfiguração do Daniel Day-Lewis é espetacular. Até sua expressão corporal é perfeita. O premio de melhor ator foi merecidíssimo, assim como o de fotografia – belíssima, aproveitando muito das cenas de fogo, e incêndio.

“Desejo e Reparação” é outro ótimo filme, com fotografia lindíssima, roteiro muito bom, atores excelentes – como a Keira Knightley é bonita e charmosa, não?

Enfim, esses três são, na minha opinião, os que merecem mais destaque. No vídeo do José Wilker  linkado aqui, ele menciona sua preferência por “Juno”, que achei bom, mas não o suficiente para ganhar um Oscar. Em todo caso, vale uma olhada (no vídeo) para entender os argumentos dele, sempre válidos.

Queridos, termino por aqui. Para quem se interessar mais, vale conferir a lista completa e os trailers dos vencedores do Oscar 2008 e os blogs que fizeram uma cobertura bem-humorada do Oscar (festa, fofocas, modelitos etc)

Falando em fofocas, li em algum lugar que George Clooney estaria “escondendo a namorada”. Que gente maldosa, né não? Coitada! Ora, ser a namorada dele e não poder contar para ninguém…perde parte da graça. Ninguém merece, não é?
Mas essa foto do post está aqui de prova. Claro que não está mostrando o rosto da sortuda…mas por acaso alguém quer ver? :)

Foto capturada no site ig